El amenazado O ameaçado
Es el amor. Tendré que ocultarme o que huir. É o amor. Terei que ocultar-me ou fugir
Crecen los muros de su cárcel, como en un sueño atroz. Crescem os muros de sua prisão como num sonho atroz
La hermosa máscara ha cambiado, pero como siempre es la única. A bela máscara mudou, mas como sempre é a única.
¿De qué me servirán mis talismanes: el ejercicio de las letras, De quê me servirão meus talismãs: o exercício das letras,
la vaga erudición, el aprendizaje de las palabras que usó el áspero Norte para cantar sus mares y sus espadas, A vaga erudição, a aprendizagem das palavras que usou o áspero Norte para cantar seus mares e suas espadas,
la serena amistad, las galerías de la biblioteca, las cosas comunes, A serena amizade, as galerias da biblioteca, as coisas comuns,
los hábitos, el joven amor de mi madre, la sombra militar de mis muertos, la noche intemporal, el sabor del sueño? os hábitos, o jovem amor de mina mãe, a sombra militar dos meus mortos, a noite atemporal, o sabor do sonho?
Estar contigo o no estar contigo es la medida de mi tiempo. Estar contigo ou não estar contigo é a medida do meu tempo.
Ya el cántaro se quiebra sobre la fuente, ya el hombre se levanta a la voz del ave, Já o cântaro quebrou-se sobre a fonte, já o homem se levanta com a voz da ave
ya se han oscurecido los que miran por las ventanas, pero la sombra no ha traído la paz. Já escureceram os que olham pelas janelas, mas a sombra não trouxe paz.
Es, ya lo sé, el amor: la ansiedad y el alivio de oír tu voz, la espera y la memoria, el horror de vivir en lo sucesivo. É, já sei, o amor: a ansiedade e o alívio de ouvir tua voz, a espera e a memória, o horror do viver no sucessivo
Es el amor con sus mitologías, con sus pequeñas magias inútiles. É o amor com suas mitologias, com suas pequenas magias inúteis
Hay una esquina por la que no me atrevo a pasar. Há uma esquina pela qual não me atrevo a passar
Ya los ejércitos me cercan, las hordas. Já os exércitos me rodeiam, as hordas.
(Esta habitación es irreal ella no la ha visto (Este quarto é irreal e ela não o viu)
El nombre de una mujer me delata. O nome de uma mulher me delata.
Me duele una mujer en todo el cuerpo. Dói-me uma mulher em todo o corpo
Breve biografia:
Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (Buenos Aires, 24 de agosto de 1899 — Genebra, 14 de junho de 1986) foi um escritor, poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino. Seu trabalho foi traduzido e publicado extensamente no Estados Unidos e Europa. Borges era fluente em várias línguas. Sua obra abrange o “caos que governa o mundo e o caráter de irrealidade em toda a literatura”.  O escritor e ensaísta John Maxwell Coetzee disse sobre ele: “Ele, mais do que ninguém, renovou a linguagem de ficção e, assim, abriu o caminho para uma geração notável de romancistas hispano-americanos”
Em 1914 sua família se mudou para Suíça, onde ele estudou e viajou para a Espanha. Em seu retorno à Argentina em 1921, Borges começou a publicar seus poemas e ensaios em revistas literárias surrealistas. Também trabalhou como bibliotecário e professor universitário público. Em 1955 foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional da República Argentina e professor de literatura na Universidade de Buenos Aires. Em 1961, destacou-se no cenário internacional quando recebeu o primeiro prêmio internacional de editores, o Prêmio Formentor.

Seus livros mais famosos, Ficciones (1944) e O Aleph (1949), são coletâneas de histórias curtas interligadas por temas comuns: sonhos, labirintos, bibliotecas, escritores fictícios e livros fictícios, religião, Deus. Seus trabalhos têm contribuído significativamente para o gênero da literatura fantástica.3 Estudiosos notaram que a progressiva cegueira de Borges ajudou-o a criar novos símbolos literários através da imaginação, já que “os poetas, como os cegos, podem ver no escuro”. Os poemas de seu último período dialogam com vultos culturais como Spinoza, Luís de Camões e Virgílio.

Sua fama internacional foi consolidada na década de 1960, ajudado pelo “boom latino-americano” e o sucesso de Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez. Para homenagear Borges, em O Nome da Rosa, um romance de Umberto Eco, há o personagem Jorge de Burgos, que além da semelhança no nome é cego assim como Borges, foi ficando ao longo da vida. Além da personagem, a biblioteca que serve como plano de fundo do livro é inspirada no conto de Borges A Biblioteca de Babel (Uma biblioteca universal e infinita que abrange todos os livros do mundo)

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3 comentarios sobre “Poema do dia: “El Amenazado”. Autor: Jorge Luis Borges. Traduçao ao português Aline R. Fagundes

  1. Dicen que los miércoles es el día de la poesía, yo entre hoy en tu blog tras unos días de reposo y encontré varias, las disfrute y te doy las gracias por ponerlas porque, como dice mi amiga Julie, “el día de la poesía es, lunes, martes, miércoles…., todos”. Saludos.

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