CarlosDrummondAndrade

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi um poeta, contista e cronista brasileiro, considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX.

As sem-razões do amor. Las sin razones del Amor

   
Eu te amo porque te amo, Yo te amo porque te amo,
Não precisas ser amante, No necesitas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo. tampoco siempre saber serlo.
Eu te amo porque te amo. Yo te amo porque te amo.
Amor é estado de graça Amor es un estado de gracia
e com amor não se paga. Y con amor no se paga
Amor é dado de graça, Amor es dado sin costo,
é semeado no vento, es sembrado en el viento
na cachoeira, no eclipse. en la cascada, en el eclipse
Amor foge a dicionários Amor huye a diccionarios
e a regulamentos vários. y a reglamentos variados
Eu te amo porque não amo Yo te amo porque no me amo
bastante ou demais a mim. lo bastante o demasiado
Porque amor não se troca, Porque amor no se cambia,
não se conjuga nem se ama. No se conjuga, ni se ama.
Porque amor é amor a nada, Porque amor es amor a la nada,
feliz e forte em si mesmo. Feliz y fuerte en sí mismo.
Amor é primo da morte, Amor es el primo de la muerte
e da morte vencedor, Y de la muerte vencedor,
por mais que o matem (e matam) aunque lo maten (y matan)
a cada instante de amor. en cada instante de amor.

Tradução Aline Fagundes. Nov 2013

Breve Resenha do artista:

Nasceu em Minas Gerais, numa cidade cuja memória viria a permear parte de sua obra, Itabira. Seus antepassados, tanto do lado materno como paterno, pertencem a famílias de há muito tempo estabelecidas no Brasil. Posteriormente, foi estudar em Belo Horizonte, no Colégio Arnaldo, e em Nova Friburgo com os jesuítas no Colégio Anchieta. Formado em farmácia, com Emílio Moura e outros companheiros, fundou “A Revista”, para divulgar o modernismo no Brasil.

No mesmo ano em que publica a primeira obra poética, “Alguma poesia” (1930), o seu poema Sentimental é declamado na conferência “Poesia Moderníssima do Brasil”, feita no curso de férias da Faculdade de Letras de Coimbra, pelo professor da Cadeira de Estudos Brasileiros, Dr. Manoel de Souza Pinto, no contexto da política de difusão da literatura brasileira nas Universidades Portuguesas. Durante a maior parte da vida, Drummond foi funcionário público, embora tenha começado a escrever cedo e prosseguindo até seu falecimento, que se deu em 1987 no Rio de Janeiro, doze dias após a morte de sua filha. Além de poesia, produziu livros infantis, contos e crônicas.

Quando se diz que Drummond foi o primeiro grande poeta a se afirmar depois das estreias modernistas, não se está querendo dizer que Drummond seja um modernista. De fato herda a liberdade linguística, o verso livre, o metro livre, as temáticas cotidianas.

Mas vai além. “A obra de Drummond alcança — como Fernando Pessoa ou Jorge de Lima, Herberto Helder ou Murilo Mendes — um coeficiente de solidão, que o desprende do próprio solo da História, levando o leitor a uma atitude livre de referências, ou de marcas ideológicas, ou prospectivas”, afirma Alfredo Bosi (1994).

Anuncios

Comenta aquí / Deixe seu comentário

Introduce tus datos o haz clic en un icono para iniciar sesión:

Logo de WordPress.com

Estás comentando usando tu cuenta de WordPress.com. Cerrar sesión / Cambiar )

Imagen de Twitter

Estás comentando usando tu cuenta de Twitter. Cerrar sesión / Cambiar )

Foto de Facebook

Estás comentando usando tu cuenta de Facebook. Cerrar sesión / Cambiar )

Google+ photo

Estás comentando usando tu cuenta de Google+. Cerrar sesión / Cambiar )

Conectando a %s