Mario Benedetti (Paso de los Toros, departamento de Tacuarembó, 14 de setembro de 1920 — Montevidéu, 17 de maio de 2009) foi um poeta, escritor e ensaísta uruguaio. Integrante da Geração de 45, a qual pertencem também Idea Vilariño e Juan Carlos Onetti, entre outros. Considerado um dos principais autores uruguaios, ele iniciou a carreira literária em 1949 e ficou famoso em 1956, ao publicar “Poemas de Oficina”, uma de suas obras mais conhecidas. Benedetti escreveu mais de 80 livros de poesia, romances, contos e ensaios, assim como roteiros para cinema.

Poema Te quiero

Tus manos son mi caricia Tuas mãos são minha carícia
mis acordes cotidianos Meus acordes do dia a dia
te quiero porque tus manos Te amo porque tuas mãos
trabajan por la justicia Trabalham pela justiça
si te quiero es porque sos Se te amo é porque eres, pois
mi amor mi cómplice y todo Meu amor, cúmplice em tudo
y en la calle codo a codo E na rua olho no olho
somos mucho más que dos Somos muito mais que dois
tus ojos son mi conjuro Teus olhos são meu conjuro
contra la mala jornada Contra o mal passar
te quiero por tu mirada Te amo por teu olhar
que mira y siembra futuro Que olha e semeia futuro
tu boca que es tuya y mía Tua boca que és tua e minha
tu boca no se equivoca Tua boca que não se equivoca
te quiero porque tu boca Te amo porque tua boca
sabe gritar rebeldía Sabe gritar rebeldía
si te quiero es porque sos Se te amo é porque es, pois
mi amor mi cómplice y todo Meu amor, cúmplice em tudo
y en la calle codo a codo E na rua olho no olho
somos mucho más que dos Somos muito mais que dois
y por tu rostro sincero E por teu rosto franco
y tu paso vagabundo E teu passo vagabundo
y tu llanto por el mundo E teu pranto pelo mundo
porque sos pueblo te quiero Porque es povo, te amo
y porque amor no es aureola E porque o amor não é pão de ló
ni cándida moraleja Nem ingênua fabulação
y porque somos pareja E porque somos essa união
que sabe que no está sola Que sabe que não está só
te quiero en mi paraíso Te quero em meu paraíso
es decir que en mi país Ou seja, que em meu país
la gente viva feliz O povo viva feliz
aunque no tenga permiso Mesmo sem haver pedido
si te quiero es porque sos Se te amo é porque es, pois
mi amor mi cómplice y todo Meu amor, cúmplice em tudo
y en la calle codo a codo E na rua olho no olho
somos mucho más que dos. Somos muito mais que dois

Tradução Aline Fagundes. Nov 2013

Breve Resenha Artista:

Filho de Brenno Benedetti e Matilde Farugia, de origem italiana, aos quatro anos de idade sua família muda-se para Montevidéu. Inicia seus estudos no Colégio Alemão de Montevidéu, onde fica até 1933. Permanece apenas um ano e em seguida parte para o Liceu Miranda. Mas por problemas financeiros, acaba por seguir seus estudos de maneira auto-didata. Desde os quatorze anos trabalha na empresa Will L. Smith S.A., da Argentina.

Permanece na Argentina até 1941, partindo ao Uruguai. Sob o Golpe de Estado de 27 de Junho de 1973, Mario Benedetti renuncia ao cargo de diretor do Departamento de Literatura Hispanoamericana na Faculdade de Humanidades e Ciencias da Universidade da República, de Montevidéu. Por suas posições políticas, deve deixar o Uruguai, partindo para o exílio em Buenos Aires, Argentina. Posteriormente, exila-se no Peru, onde foi detido e deportado, indo imediatamente, em 1976, para Cuba. Volta ao Uruguai em 1983, inciando o autodenominado período de desexílio, motivo de muitas obras. Em 1986 recebe o Prêmio Jristo Botev da Bulgária, por sua obra poética e ensaística.

Desde os anos 50 até hoje a obra de Mario Benedetti foi contemplada com muitos prêmios e homenagens, dentre eles o título de Doutor Honoris Causa, em 1997, pela Universidade de Alicante, Espanha.

Depois do falecimento de sua tão estimada esposa Luz López, em Abril de 2006, vítima de Alzheimer, Mario Benedetti se mudou definitivamente para sua residência no bairro Central de Montevidéu. Em função dessa mudança, dôou parte de sua biblioteca pessoal ao Centro de Estudos IberoAmericanos Mario Benedetti da Universidade de Alicante, Espanha.

Seus livros foram traduzidos para mais 20 idiomas e é considerado um autor do primeiro plano da literatura latino-americana contemporânea.

Em 2008, o escritor foi hospitalizado quatro vezes em Montevidéu devido a diversos problemas físicos. A primeira vez foi entre janeiro e fevereiro de 2008, após sofrer uma enterocolite que fez com que ficasse desidratado. Já em março ele foi internado com problemas respiratórios, enquanto a terceira vez se deu em maio do ano passado por causa de um quadro clínico instável geral. Após a última vez em que Benedetti foi hospitalizado, de 24 de abril até 6 de maio, o escritor recebeu alta e voltou para casa, após 12 dias internado pelo agravamento de uma doença intestinal crônica.

A última obra publicada, o poemário “Testigo de Uno Mismo”, foi apresentada em agosto de 2008. Antes da última entrada no hospital, Benedetti estava trabalhando em um novo livro de poesia cujo título provisório é “Biografía para Encontrarme”.

Morreu aos 88 anos, no dia 17 de Maio de 2009 em Montevidéu. O autor tinha um estado de saúde bastante delicado e estava em sua casa, na capital uruguaia, quando morreu.

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