Poema Besos

Hay besos que pronuncian por sí solos Há beijos que pronunciam sozinhos
la sentencia de amor condenatoria, A sentença de amor condenatória,
hay besos que se dan con la mirada Há beijos que se dão com a palavra (olhar)
hay besos que se dan con la memoria. Há beijos que se dão com a memória
Hay besos silenciosos, besos nobles Há beijos silenciosos, nobres beijos
hay besos enigmáticos, sinceros Há beijos enigmáticos, sinceros
hay besos que se dan sólo las almas Há beijos que dão somente as almas
hay besos por prohibidos, verdaderos. Há beijos por proibidos, verdadeiros
Hay besos que calcinan y que hieren, Há beijos que calcinam e ferem
hay besos que arrebatan los sentidos, Há beijos que arrebatam os sentidos,
hay besos misteriosos que han dejado Há beijos misteriosos que deixaram
mil sueños errantes y perdidos. mil sonhos errantes e perdidos.
Hay besos problemáticos que encierran Há beijos problemáticos que fecham
una clave que nadie ha descifrado, uma chave que ninguém descifrou
hay besos que engendran la tragedia Há beijos que engendram a tragédia
cuantas rosas en broche han deshojado. quantas rosas em broto desfolhou
Hay besos perfumados, besos tibios Há beijos perfumados, beijos mornos
que palpitan en íntimos anhelos, Que palpitam nos íntimos desejos,
hay besos que en los labios dejan huellas Há beijos que nos lábios deixam marca
como un campo de sol entre dos hielos. Como um campo de sol entre dois gelos
Hay besos que parecen azucenas Há beijos que parecem açucenas
por sublimes, ingenuos y por puros, Por sublimes, ingênuos e por puros,
hay besos traicioneros y cobardes, Há beijos traiçoeiros e covardes,
hay besos maldecidos y perjuros. Há beijos madiltos e perjuros.
Judas besa a Jesús y deja impresa Judas beija Jesus e deixa impressa
en su rostro de Dios, la felonía, No seu rosto de Dios, a felonia
mientras la Magdalena con sus besos Enquanto a Madalena com seus beijos
fortifica piadosa su agonía. Fortifica piedosa a sua agonia.
Desde entonces en los besos palpita Desde então nos beijos palpita
el amor, la traición y los dolores, O amor, a traição e as dores,
en las bodas humanas se parecen Nos casamentos humanos se parecem
a la brisa que juega con las flores. A brisa que joga com as flores.
Hay besos que producen desvaríos Há beijos que produzem desvarios
de amorosa pasión ardiente y loca, De amorosa paixão ardente e louca,
tú los conoces bien son besos míos Você os conhece bem, são beijos meus
inventados por mí, para tu boca. Inventados por mim, para a sua boca.
Besos de llama que en rastro impreso Beijos de chama que em rastro impresso
llevan los surcos de un amor vedado, Levam os sulcos de um amor vedado,
besos de tempestad, salvajes besos Beijos de tempestade, selvagem, beijos
que solo nuestros labios han probado. Que somente nossos lábios provaram
¿Te acuerdas del primero…? Indefinible; Você lembra do primeiro? Indefinível;
cubrió tu faz de cárdenos sonrojos Cubriu a sua face de cárdeo rubor
y en los espasmos de emoción terrible, E nos espamos de emoção, terrível
llenáronse de lágrimas tus ojos. Encheram-se de lágrimas seus olhos
¿Te acuerdas que una tarde en loco exceso Lembra que uma tarde de louco excesso
te vi celoso imaginando agravios, Eu lhe vi ciumento, imaginando agravios,
te suspendí en mis brazos… vibró un beso, Lhe suspendi em meus braçoes… vibrou um beijo,
y qué viste después…? Sangre en mis labios. E quê viu depois… ? Sangue nos meus lábios
Yo te enseñé a besar: los besos fríos Eu lhe ensinei a beijar: os beijos frios
son de impasible corazón de roca, São de impassível coração de rocha,
yo te enseñé a besar con besos míos Eu lhe ensineu a beijar com beijos meus
inventados por mí, para tu boca. Inventados por mim, para a sua boca.

Breve resenha artista (português):

Poetisa chilena (7/4/1889-10/1/1957). É a primeira escritora latino-americana a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1945. Sua poesia única e repleta de imagens singulares não mostra influências do modernismo nem das vanguardas.

Descendente de espanhóis, bascos e índios, Lucila Godoy Alcayaga nasce em Vicuña, uma vila do norte do Chile. Com apenas 15 anos dá aulas. Seu noivo comete suicídio em 1907, fato que marca sua obra e sua vida. Ela nunca se casa e se dedica somente ao trabalho.

Vence um concurso literário chileno em 1914 com Sonetos de la Muerte, assinados com o pseudônimo Gabriela Mistral, formado a partir do nome de dois poetas que admira, o italiano Gabriele D”Annunzio e o francês Frédéric Mistral.

Seu primeiro livro de poesias, Desolación (1922), inclui o poema Dolor, no qual fala da perda do amado. O sentimento de maternidade frustrada aparece nos trabalhos seguintes, Ternura (1924) e Tala (1938). Colabora na reforma educacional do México e do Chile.

Representa seu país como consulesa em Nápoles, Madri, Lisboa e Rio de Janeiro. Em 1954 publica Lagar. Leciona literatura espanhola na Universidade de Columbia. Morre em Hempstead, no estado de Nova York.

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