Bem aqui, no centro,

há uma voz inflamada

que às vezes reconheço.

 

Costuma falar-me exaltada

como a terra quando treme

porque suas entranhas fervem

com o grito de um vulcão.

 

Pulsa assim, obstinada

de súbito se edifica por dentro,

até que explode em palavras

caladas na boca, retidas no peito.

 

Essas partículas de silêncio,

sílabas de instinto e fogo,

dilaceram o meu pomo,

perturbam os meus desejos

 

Bem aqui, no eixo

apesar de reter as frases de alerta

elas ultrapassam todas as frestas

das veias e do coração

 

Mesmo desejando então

um céu azulado e branco

essa voz se expande tanto

que pinta tudo de vermelho

 

Tudo que paira no ar,

ácaros, átomos, anseios

tudo que está entre os astros

e os meus pensamentos,

afinal tem uma única cor.

 

O céu, esse manto enorme,

tingido mostra-se deforme

etéreo caminho sem norte

mar de rosas sanguíneas

 

Pulsa sempre, decidida.

Mesmo que queira negá-la

essa voz jamais se cala,

porque é o grito da intuição

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