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(Santiago de Chuco, 1892 – París, 1938) Escritor peruano. César Vallejo es acaso una de las figuras de mayor relieve dentro del vanguardismo hispánico. De origen mestizo y provinciano, su familia pensó en dedicarlo al sacerdocio: era el menor de los once hermanos; este propósito familiar, acogido por él con ilusión en su infancia, explica la presencia en su poesía de abundante vocabulario bíblico y litúrgico, y no deja de tener relación con la obsesión del poeta ante el problema de la vida y de la muerte, que tiene un indudable fondo religioso.

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César Abraham Vallejo Mendoza (Santiago de Chuco, 1892 – Paris, 1938) foi um poeta de tendência vanguardista, unanimamente considerado pela crítica especializada como um dos maiores poetas hispano-americanos do século XX e o maior poeta peruano, tendo sido também contista, romancistaista, dramaturgo e ensaísta. Conforme o escritor uruguaio Mario Benedetti , é o mais influente poeta das letras hispano-americanas na atualidade, juntamente com Pablo Neruda, poeta que costumava se referir ao peruano como melhor poeta do que ele próprio

Poema

Trilce “Trilce”
Hay un lugar que yo me sé Tem um lugar que eu conheço
en este mundo, nada menos, neste mundo, nada menos,
adonde nunca llegaremos. aonde nunca chegaremos.
Donde, aun si nuestro pie Onde, mesmo que nosso pé
llegase a dar por un instante chegasse a tocá-lo por um instante
será, en verdad, como no estarse. será, na verdade, como não estar lá
Es ese sitio que se ve Nesse lugar que se vê
a cada rato en esta vida, a toda hora nesta vida,
andando, andando de uno en fila. andando, andando de fila em fila.
Más acá de mí mismo y de Mas além de mim mesmo e das
mi par de yemas, lo he entrevisto minhas duas gemas, eu pude entrevê-lo
siempre lejos de los destinos. sempre distante dos destinos.
Ya podéis iros a pie Vocês podem até ir à pé
o a puro sentimiento en pelo, Com o sentimento à beira do seio
que a él no arriban ni los sellos. Mas não lhe chega nenhum gesto
El horizonte color té O Horizonte cor fumê
se muere por colonizarle ansia poder colonizá-lo
para su gran Cualquiera parte. para descifrar e subjugá-lo
Mas el lugar que yo me sé, Mas esse lugar que eu conheço
en este mundo, nada menos, Neste mundo, nada menos,
hombreado va con los reversos. está lado a lado com os reversos
?Cerrad aquella puerta que Fechem aquela porta que
está entreabierta en las entrañas está entreaberta nas entranhas
de ese espejo. ?¿Está?? No; su hermana. desse espelho? Está? Não; sua irmã
?No se puede cerrar. No se Não se pode fechar. Nunca se
puede llegar nunca a aquel sitio pode chegar àquele lugar
donde van en rama los pestillos. Onde vão em fila as trancas
Tal es el lugar que yo me sé. Tal é o lugar que eu conheço

Tradução Aline Fagundes. Dez 2013

Breve resenha artista:

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Vallejo hizo los estudios de segunda enseñanza en el Colegio de San Nicolás (Huamachuco). En 1915, después de obtener el título de bachiller en letras, inició estudios de Filosofía y Letras en la Universidad de Trujillo y de Derecho en la Universidad de San Marcos (Lima), pero abandonó sus estudios para instalarse como maestro en Trujillo.

En 1918 César Vallejo publicó su primer poemario: Los heraldos negros, en el que son patentes las influencias modernistas, sobre todo de Julio Herrera y Reissig. Esta obra contiene, además, muestras de lo que será una constante en su obra: la solidaridad del poeta con los sufrimientos de los hombres, que se transforma en un grito de rebelión contra la Acusado injustamente de robo e incendio durante una revuelta popular (1920), César Vallejo pasó tres meses y medio en la cárcel, durante los cuales escribió otra de sus obras maestras, Trilce (1922), que supone la ruptura definitiva con el modernismo y con el nacionalismo literario.

En 1923, tras publicar Escalas melografiadas y Fabla salvaje, César Vallejo marchó a París, donde conoció a Juan Gris y Vicente Huidobro, y fundó la revista Favorables París Poema (1926). En 1928 y 1929 visitó Moscú y conoció a Maiakovski, y en 1930 viajó a España, donde apareció la segunda edición de Trilce. De 1931 son su novela Tungsteno y el cuento de Paco Yunque, y un nuevo viaje a Rusia. En 1932 escribió la obra de teatro Lock-out y se afilió al Partido Comunista Español. Regresó a París, donde vivió en la clandestinidad, y donde, tras estallar la guerra civil, reunió fondos para la causa republicana.

Entre sus otros escritos destaca la obra de teatro Moscú contra Moscú, titulada posteriormente Entre las dos orillas corre el río. Póstumamente aparecieron Poemas humanos (1939) y España, aparta de mí este cáliz (1940), conmovedora visión de la guerra de España y expresión de su madurez poética. Contra el secreto profesional y El arte y la revolución, escritos en 1930-1932, aparecieron en 1973.sociedad.

Português

Chamado por Eduardo Galeano de “o poeta dos vencidos”, sendo neto de mulheres indígenas, toda sua vida foi marcada por uma condição de pobreza, desamparo, e de mestiço e militante de esquerda perseguido. Tendo seu pai um emprego razoável, porém uma família numerosa, não possuía renda para dar uma vida confortável aos filhos. Em 1910 ingressa na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Trujillo, mas não consegue se formar por falta de dinheiro, passando a se manter como tutor do filho de um fazendeiro e em outros empregos, como assistente na administração de uma fazenda de açúcar. A miséria vista durante esta época marcou suas posições políticas.

Consegue, finalmente, em 1915, se formar como professor em Trujillo, mas tem que mudar-se para a cidade de Lima em função de problemas amorosos. Tendo conseguido um cargo de diretor em uma escola de Lima, nesta época conheceu o conhecido poeta anarquista Manuel González Prada e publicou seu primeiro livro, “Los Heraldos Negros”, que teve boa acolhida.

Voltando a Lima após a prisão, em liberdade condicional, em 1922 publica o vanguardista livro de poemas “Trilce”, escrito no cárcere, com uma tiragem de apenas 200 exemplares, pelos quais o poeta pagou, por cada um, um custo muito mais alto que o preço de venda.

Obtendo um novo emprego de professor, o poeta é, porém, novamente demitido. Resolve então, no ano de 1923, animado por um amigo e temendo voltar à prisão (que o marcara profundamente) mudar-se para Paris, onde irá conhecer pintores e escritores como Antonin Artaud, Jean Cocteau y Pablo Picasso, o qual desenhou um famoso retrato do poeta. Desde a ocasião de sua partida, nunca mais voltou ao Peru.

César Vallejo é considerado essencial para a literatura universal do século XX, principalmente, por sua obra poética. Autor de uma poesia, por vezes, por muitos considerada difícil desde os seus primórdios, publicou em 1919 seu primeiro livro, “Los Heraldos Negros”. Nesta obra, ainda pratica uma poesia vinculada ao modernismo hispano-americano, com tendência a um certo simbolismo1 , embora possamos notar no poema título do livro certas tendências posteriores e vanguardistas, como as rápidas transições sintáticas usadas na língua oral, tal qual explorariam na língua portuguesa, bem mais tarde, o poeta Manoel de Barros e o prosador Guimarães Rosa, bem como o poeta norte-americano e.e. cummings. Por tratar de temas cotidianos e extrair deles um sentido profundo, alguns, como Miguel de Unamuno, fizeram do livro motivo de zombaria.

Sua poesia marcada pela inovação, que rompia definitivamente com os cânones da sintaxe tradicional, do léxico e da gramática, no entanto, se define a partir de “Trilce”, publicado na Espanha em 1922.

Mesmo sendo um dos experimentos mais radicais já produzidos em termos de linguagem verbal, utilizando todo o tipo de recurso vanguardista como neologismos, tipografismos, coloquialismos, mas também cultismos e arcaísmos, promovendo fusões de palavras e quebras de ritmos, frases e timbres inusitadamente, a arquitetura concomitantemente assimétrica e barroca dos poemas de Trilce refletem um pensamento paradoxal que fez com que esta obra pudesse ser considerada uma das mais importantes obras da literatura universal . A leitura dos poemas do livro não é, em absoluto, simples, a menos que estejamos familiarizados com a oralidade, os arcaísmos e cultismos em língua castellana, bem como com recursos expressivos usados por diversas vanguardas poéticas.

Depois de “Trilce”, não voltou a publicar poemas, tendo publicado contos, ensaios, um romance e várias peças teatrais, alguns destes trabalhos publicados tendo alcançado boa aceitação na época, porém sofrendo muitos obstáculos até atingir publicação.

Seus poemas escritos na década de 30, extremamente profundos, normalmente são reunidos sob o título de um dos seus poemas desta época, “Poemas humanos”. Marcados pela dor, apontam a solidariedade como antídoto para o sofrimento, apresentando suas imagens às pessoas que o vivenciam e escrevendo de maneira que se afasta da figura do poeta desolado, aquele que sacrifica sua originalidade em função do sentimento de “tudo já haver sido dito” .

Embora haja nos “Poemas humanos” um retorno a metros e formas fixos, o legado do trabalho anterior não é abandonado pelo poeta, que utiliza ainda os recursos da oralidade e das vanguardas de forma original com maior sutileza, podendo, já, estes poemas figurarem na lista dos trabalhos que alguns chamam de pós modernistas. Desta forma, de maneira simplista, poderíamos categorizar as três fases com que os teóricos costumam dividir a obra poética de Vallejo (pós-modernista, referindo-se ao modernismo hispano-americano; vanguardista; revolucionária) em uma categorização mais universal como: pré-moderna, moderna (ou vanguardista) e pós-moderna.

Além dos livros de poemas inéditos, deixou outras obras acabadas e não publicadas, entre romances, dramas e ensaios.

A magnitude de sua poesia, em um sentido realmente humano, além do formal, fez com que, mesmo um pensador do porte do monje trapista, poeta e pensador Thomas Merton, tenha considerado Vallejo “o mais importante poeta universal depois de Dante”.

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