O inflamado anel de ouro

ilumina o pintor, a sua testa,

e muda o tom da sua vista atenta

aos movimentos de quase tudo.

 

Uns pássaros brancos

perfilam nas nuvens um rastro,

refulgente caminho de plancto

no ar de azul esperança.

 

Ele observa esse caminho.

Centelhas pululam alinhadas

no céu desperto e limpo.

 

Agacha-se pensativo.

Logo toca a grama esguia

e, de repente, a velha magia

acende-se na sua alma.

 

Então dos seus olhos

caem imagens em cascata;

de suas mãos bem treinadas

saem os primeiros rabiscos.

 

Dedos e pincel enlaçados

conjugam luzes e sombras,

sabores, texturas e formas

como num poema narrado.

 

As mãos pairam sobre a tela

com a mesma sutileza

que a dos pés de um dançarino.

E cada passo dessa dança

são cores que se derramam  

em geométrica coreografia.

 

De um lado cai o amarelo

sobre as pequenas margaridas

sobre o vasto trigo que oscila

perante a força do vento;

e se mistura com o vermelho

da terra de minerais e argila,

de onde se alimenta.

 

Do outro lado, o mar sedento,

absorve as cores da noite

que reluz na pele dos cachalotes

na água turva, escamas de prata,

na casca do nácar.

 

Do mar, como um plumeiro

surge um semi-círculo alaranjado

que desprende o intenso cheiro

da morte de um dia ensolarado.

 

Ao ritmo das sensíveis pulsações

escorre-lhe a paleta inteira,

das suas curvas sobrancelhas

até os últimos dedões;

assim verte o arco-íris da memória

contando na tela uma estória,

colorindo-a com sensações.

 

Aos impressionistas.

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