Paulo_Leminski

Parada cardíaca
Paro Cardíaco
Essa minha secura
Esa sequedad insistente
essa falta de sentimento
Esa falta de sentimiento
não tem ninguém que segure,
No hay nadie que la sujete,
vem de dentro.
Viene desde adentro.
Vem da zona escura
Viene de la zona latente
donde vem o que sinto.
De donde viene lo que siento.
Sinto muito,
Mucho siento,
sentir é muito lento.
y el sentir es muy lento

Traducción Aline Fagundes

Biografia Português:

Paulo Leminski Filho (Curitiba PR 1944 – idem 1989). Poeta, romancista e tradutor. Filho de Paulo Leminski, militar de origem polonesa, e Áurea Pereira Mendes, de ascendência africana. Aos 12 anos, ingressa no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, e adquire conhecimentos de latim, teologia, filosofia e literatura clássica. Em 1963, abandona a vocação religiosa. Viaja a Belo Horizonte para participar da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, e conhece Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos, criadores do movimento Poesia Concreta. No ano seguinte, publica seus primeiros poemas na revista Invenção, editada pelos concretistas, e torna-se professor de história e redação em cursos pré-vestibulares, experiência que motiva a criação de seu primeiro romance, Catatau (1976). Leminski também atua como diretor de criação e redator em agências de publicidade, o que contribui para sua atividade poética, sobretudo no aspecto da comunicação visual. Fascinado pela cultura japonesa e pelo zen-budismo, Leminski pratica judô, escreve haicais e uma biografia de Matsuo Bashô. O interesse pelos mitos gregos, por sua vez, inspira a prosa poética Metaformose. Paulo Leminski exerce atividade intensa como crítico literário e tradutor, vertendo para o português obras de James Joyce, Samuel Beckett, Yukio Mishima, Alfred Jarry, entre outros. Colabora em revistas de vanguarda, como Raposa, Muda e Qorpo Estranho, e faz parcerias musicais com Caetano Veloso e Itamar Assumpção, entre outros. Em 1968, casa-se com a poeta Alice Ruiz (1946), com quem vive durante 20 anos, e tem três filhos: Miguel Ângelo (que morre aos dez anos), Áurea e Estrela. Em 7 de junho de 1989, o poeta morre, vítima de cirrose hepática.

Comentário Crítico

A poesia de Paulo Leminski revela uma síntese entre a coloquialidade e o rigor da construção formal, herdada da estética concretista. O humor está presente em boa parte de sua obra poética, assim como a influência melódica da canção popular, dos recursos visuais da publicidade, dos provérbios e trocadilhos da cultura popular e da extrema concisão da poesia japonesa. A gíria, o palavrão e a dicção urbana também são frequentes em sua obra, como mostra o poema: “o pauloleminski / é um cachorro louco / que deve ser morto / a pau a pedra / a fogo a pique / senão é bem capaz / o filhadaputa / de fazer chover / em nosso piquenique”.1 Assim como elementos formais assimilados da vanguarda, como a eliminação da pontuação, o uso exclusivo de letras minúsculas, a disposição geométrica das palavras na página, o emprego de neologismos e de palavras-valise, que multiplicam as possibilidades de significação do texto. A visualidade na obra de Leminski é mais evidente nos poemas da série sol-te, em que o poeta utiliza diferentes fontes e corpos de letras e recursos de diagramação, como no haicai visual “lua na água / alguma lua / lua alguma,2 em que as letras de cada verso aparecem repetidas na linha de baixo, invertidas, como se fossem sombras. Esse é um recurso icônico, ou seja, a imagem reproduz o sentido do poema (no caso, o reflexo da lua na água). O artesanato poético de Leminski valoriza ainda recursos da poesia tradicional, como as rimas, que são essenciais para a estrutura rítmica de seus poemas.  Os primeiros livros do autor, Não Fosse Isso e Era Menos / Não Fosse Tanto e Era Quase e Polonaises (1980, editora do autor), foram reunidos, com o acréscimo de novos poemas, em Caprichos e Relaxos (1983), que desde a sua primeira edição exerce notável influência nas gerações mais jovens, conforme descreve o poeta e jornalista Carlos Ávila. Ávila ressalta ainda que a esfera de mito alcançada por Leminski e sua repercussão na poesia recente do Brasil deve-se também à imagem um tanto romântica e radical que se faz do escritor. Segundo o poeta Régis Bonvicino, “a poesia de Leminski funda-se na ideia de linguagem, herança elaborada do concretismo, mas abrange um espectro largo de interesse: do político (‘en la lucha de clases / todas las armas son buenas / piedras, noches, poemas’) ao metalinguístico/existencial (‘apagar-me / diluir-me / desmanchar-me / até que depois / de mim / de nós / de tudo / não reste mais / que o charme) e ao humorístico (‘manchete: chutes de poeta / não levam perigo à meta’), que percorrem, ora como ironia, ora como cinismo, todo o livro. Leminski é experimental, em formas e conteúdos.3 Em Distraídos Venceremos (1987), o poeta curitibano mantém o uso de recursos estilísticos como o humor, os trocadilhos e as rimas inusitadas, em peças densas e reflexivas que discutem temas relacionados à história, à leitura, ao amor, à perda da fé religiosa, e sobretudo à própria poesia, como em M, de Memória: “Os livros sabem de tudo. / Já sabem deste dilema. / Só não sabem que, no fundo, / ler não passa de uma lenda”.4 No final do volume, Leminski incluiu um caderno chamado Kawa Cauim: Desarranjos Florais, uma seleção de 27 haicais irônicos e concisos como este: “alvorada / alvoroço / troco minha alma / por um almoço”.5 Após a morte do poeta, foram editados dois livros com poemas, La Vie em Close (1991) e O Ex-Estranho (1996), que reafirmam a posição Leminski como o nome mais destacado de sua geração. A prosa de ficção de Leminski inclui os romances Catatau (1976), Agora É que São Elas (1984), Metaformose (1994) e o livro de contos O Gozo Fabuloso (2004). Classificar esses textos como “romances”, “novelas” ou “contos”, porém, é bastante arriscado, conforme escreve a crítica literária Maria Esther Maciel, pois seguem um princípio de experimentação e de mescla de todos os gêneros, não respeitando as fronteiras entre poesia, ficção ou ensaio. Catatau, por exemplo, embora tenha uma trama ficcional que se desenvolve a partir de uma visita imaginária do filósofo francês René Descartes ao Brasil, acompanhando a comitiva de Maurício de Nassau, descarta a construção linear de tempo, espaço e personagem, própria do realismo. Aproxima-se assim de textos experimentais como o Finnegans Wake, do escritor irlandês James Joyce, ou das Galáxias, de Haroldo de Campos, especialmente no campo da invenção linguística. O caráter inventivo de Catatau dissolve a distinção entre prosa e poesia e faz amplo uso da paródia e da sátira, sendo interpretado por alguns como um exemplo da literatura neobarroca. O estilo neobarroco surge na América Latina a partir da década de 1940 e tem como principais características a mestiçagem de estilos, a incorporação de neologismos, arcaísmos, palavras em línguas estrangeiras, citações eruditas e provérbios populares, desconsiderando fronteiras entre os repertórios culturais. Outra faceta singular da obra de Leminski é o ciclo de biografias que ele escreve (Jesus Cristo, Leon Trotsky, Matsuo Bashô, Cruz e Sousa), reunidas no volume póstumo intitulado Vida (1990). Nesses breves relatos, o poeta curitibano faz um cruzamento de informações biográficas, históricas, literárias e culturais, numa prosa de leitura mais acessível, entre a crônica jornalística e o ensaio. O trabalho de Leminski como tradutor não é menos notável. O poeta traduz, entre outras obras, Satiricon, de Petrônio, diretamente do latim; o relato Sol e Aço, de Yukio Mishima, e haicais de Bashô a partir dos originais japoneses; Supermacho, de Alfred Jarry, do francês; além de poemas e novelas do escritor irlandês James Joyce. Paulo Leminski deixou ainda um livro de literatura infantil, Guerra Dentro da Gente (1988); uma coletânea de ensaios, Anseios Crípticos (1986); e dezenas de parcerias musicais feitas com músicos como Caetano Veloso, Moraes Moreira, Arnaldo Antunes e Itamar Assumpção. Sua correspondência com Régis Bonvicino é publicada no livro Envie Meu Dicionário (1998), que reúne ainda textos críticos de autores como Carlos Ávila e o Boris Schnaiderman sobre o trabalho do poeta curitibano.

Español

Paulo Leminski Filho (Curitiba, en el Estado de Paraná, Brasil, 1944 – ídem 1989). Poeta, novelista y traductor. Hijo de Paulo Leminski, militar de origen polaca, y Áurea Pereira Mendes, de ascendencia africana. A los 12 años, ingresa en el Mosteiro de São Bento [Monasterio de São Bento], en São Paulo, y adquiere conocimientos de latín, teología, filosofía y literatura clásica. En 1963, abandona la vocación religiosa. Viaja a Belo Horizonte, en el Estado de Minas Gerais, para participar de la Semana Nacional de Poesía de Vanguardia, y conoce a Augusto de Campos, a Décio Pignatari y a Haroldo de Campos, creadores del movimiento poesía concreta. Al año siguiente, publica sus primeros poemas en la revista Invenção  [Invención], editada por los concretos, y se torna profesor de historia y redacción en cursos de preparación para la selectividad, experiencia que lo motiva a crear su primera novela, Catatau (1976). Leminski también actúa como director de creación y redactor en agencias de publicidad, lo que contribuye para su actividad poética, sobre todo en el aspecto de la comunicación visual. Fascinado por la cultura japonesa y por el zen-budismo, Leminski practica judo, escribe haikus y una biografía de Matsuo Basho. Su interés por los mitos griegos, por su vez, le inspira la prosa poética Metaformose [Metamorfosis]. Paulo Leminski ejerce intensa actividad como crítico literario y traductor, y hace la versión en  portugués de obras de James Joyce, Samuel Beckett, Yukio Mishima, Alfred Jarry, entre otros. Colabora en revistas de vanguardia como Raposa, Muda y Qorpo Estranho; y produce composiciones musicales en conjunto con Itamar Assumpção y Caetano Veloso, entre otros. En 1968, se casa con la poeta Alice Ruiz (1946), con quien vive durante 20 años y tiene tres hijos: Miguel Ângelo (que muere a los 10 años), Áurea y Estrela. En 7 de junio de 1989, el poeta muere, víctima de cirrosis hepática.

Comentario CríticoLa poesía de Paulo Leminski revela una síntesis entre lo coloquial y el rigor de la construcción formal, heredada de la estética concreta. El humor está presente en buena parte de su obra poética, así también la influencia melódica de la canción popular, de los recursos visuales de la publicidad, de los proverbios y trocadilhos [juego de palabras] de la cultura popular y de la extremada concisión de la poesía japonesa.

La jerga, la palabrota y la dicción urbana también son frecuentes en su obra, como lo muestra el siguiente poema: “o pauloleminski / é um cachorro louco / que deve ser morto / a pau a pedra / a fogo a pique / senão é bem capaz / o filhadaputa / de fazer chover / em nosso piquenique” [pauloleminski / es un perro loco / que debe ser muerto / a palo a piedra / a fuego a pique / o es bien capaz / el hijodeputa / de hacer llover / en nuestro picnic].1  Asimismo los elementos formales asimilados de la vanguardia, por ejemplo la eliminación de la puntuación, el uso exclusivo de letras minúsculas, la disposición geométrica de las palabras en la página, la utilización de neologismos y de palabras-maleta, que multiplican las posibilidades de significación del texto.

La visualidad en la obra de Leminski es más evidente en los poemas de la serie sol-te, en los que el poeta utiliza las distintas fuentes y cuerpos de letras y recursos de diagramación, como en el haicu visual “lua na água / alguma lua / lua alguma” [luna en el agua / alguna luna / luna alguna]2, en el que las letras de cada verso aparecen repetidas en la línea de abajo, invertidas, como si fueran sombras. Este es un recurso icónico, o sea, la imagen reproduce el sentido del poema (en dicho caso, el reflejo de la luna en el agua). La artesanía poética de Leminski valora aun recursos de la poesía tradicional, como las rimas, que son esenciales a la estructura rítmica de sus poemas.  Los primeros libros del autor, Não Fosse Isso e Era Menos, Não Fosse Tanto e Era Quase [No Fuera Eso y Era Menos, No Fuera Tanto y Era Casi]  y Polonaises (1980, editora del autor), fueron reunidos, añadidos de nuevos poemas, en Caprichos e Relaxos [Caprichos y Relajos] (1983), que desde su primera edición ejerce notable influencia en las generaciones más jóvenes, conforme lo describe el poeta y periodista Carlos Ávila. Ávila incluso resalta que la esfera de mito alcanzada por Leminski y su repercusión en la poesía reciente de Brasil se debe también a la imagen un tanto romántica y radical que se hace del escritor.

Según el poeta Régis Bonvicino, “la poesía de Leminski se funda en la idea de lenguaje, herencia elaborada del concretismo, pero abarca un espectro largo de intereses: del político (‘en la lucha de clases / todas las armas son buenas / piedras, noches, poemas’) al metalingüístico / existencial (‘apagar-me / diluir-me / desmanchar-me / até que depois / de mim / de nós / de tudo / não reste mais / que o charme’) [(borrarme / diluirme / deshacerme / hasta que después / de mí / de nosotros / de todo / no quede / sino el encanto)] y al humorístico (‘manchete: chutes de poeta / não levam perigo à meta’) [(portada: patadas de poeta / no llevan peligro a la meta)], que recurren, ora como ironía, ora como cinismo, el libro entero. Leminski es experimental, en formas y contenidos”.3

En Distraídos Venceremos (1987), el poeta mantiene el uso de recursos estilísticos, es decir, el humor, los trocadilhos y las rimas inusitadas, en obras densas y reflexivas que discuten temas relacionados a la historia, lectura, al amor, a la pérdida de la fe religiosa, y sobre todo a la propia poesía, por ejemplo en M, de Memória: “Os livros sabem de tudo. / Já sabem deste dilema. / Só não sabem que, no fundo, / ler não passa de uma lenda” [Los libros saben de todo. / Ya saben de este dilema. / Solo no saben que, en el fondo, / leer no es más que una leyenda].4 Al final del volumen, Leminski incluye un cuaderno titulado Kawa Cauim: desarranjos florais, una selección de 27 haicus irónicos y concisos como este: “alvorada / alvoroço / troco minha alma / por um almoço” [alborada / alborozo / cambio mi alma por un almuerzo].5  Se editan dos libros de poemas póstumos, La Vie em Close (1991) y O Ex-Estranho (1996), que reafirman la posición de Leminski de más destacado nombre de su generación.   La prosa de ficción incluye las novelas Catatau (1976), Agora É que São Elas (1984), Metaformose (1994) y el libro de cuentos O Gozo Fabuloso (2004). Clasificar dichos textos como “novelas” o “cuentos”, sin embargo, es  muy arriesgado, conforme escribe la crítica literaria Maria Esther Maciel, porque siguen un principio de experimentación y de mezcla de todos los géneros, sin respetar las fronteras entre poesía, ficción o ensayo.

Catatau, por ejemplo, aunque tiene trama ficcional que se desarrolla con base en una visita imaginaria del filósofo francés René Descartes a Brasil, acompañando la comitiva de Maurício de Nassau, desconsidera la construcción  lineal de tiempo, espacio y personaje, propia del realismo. Se aproxima, así, de textos experimentales, a saber, Finnegans Wake del escritor irlandês James Joyce, o Galáxias  de Haroldo de Campos, especialmente en el campo de la invención lingüística.

El carácter inventivo de Catatau disuelve la distinción entre la prosa y la poesía y utiliza ampliamente la parodia y la sátira, siendo interpretado por algunos como un ejemplo de la literatura neo-barroca. El estilo neobarroco surge en américa latina a partir de la década de 1940 y sus principales características son el mestizaje de estilos, la incorporación de neologismos, arcaísmos, palabras en lenguas extranjeras, citaciones eruditas y proverbios populares, desconsiderando fronteras entre los repertorios culturales.    Otra faceta singular de la obra de Leminski es el ciclo de biografías que escribe (Jesús Cristo, León Trotsky, Matsuo Basho, Cruz e Sousa), reunidas en el volumen póstumo titulado Vida (1990). En estos breves relatos, el poeta hace un cruce de informaciones biográficas, históricas, literarias  y culturales, en una prosa de lectura más accesible, entre la crónica periodística y el ensayo.   Su trabajo como traductor no es menos notable. Leminski traduce, entre otras obras, Satiricón, de Petrônio, directamente del latín; el relato Sol e Aço [Sol y Acero], de Yukio Mishima, y haicus de Basho, de los originales japoneses; El Supermacho, de Alfred Jarry, del francés; además de poemas y novelas de James Joyce.  Y deja un libro de literatura infantil, Guerra dentro da Gente [Guerra dentro de Uno] (1988); una antología de ensayos, Anseios Crípticos [Anhelos Crípticos] (1986);  y decenas de composiciones con los músicos Caetano Veloso, Moraes Moreira, Itamar Assumpção y Arnaldo Antunes. Su correspondencia con Régis Bonvicino se publica en el libro Envie Meu Dicionário [Envíame Mi Diccionario] (1998), que reúne también textos críticos de los autores Carlos Ávila y Boris Schnaiderman sobre el trabajo del poeta.

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Un comentario sobre “Poema “M. de Memória”. Autor Paulo Leminski

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