Canção “Ideologia”. Músico Cazuza. Traducción al español Aline R. Fagundes

Ideologia Video original

Canção Ideologia

Meu partido Mi partido (político)
É um coração partido es un corazón partido
E as ilusões Y las ilusiones
Estão todas perdidas están del todo perdidas
Os meus sonhos Mis suenos
Foram todos vendidos también fueron vendidos
Tão barato que eu nem acredito tan baratos que no me lo puedo creer
Ah! Eu nem acredito Ah… ¡No me lo puedo creer!
Que aquele garoto Y aquel muchacho
Que ia mudar o mundo que iba a cambiar el mundo
Mudar o mundo cambiar el mundo
Frequenta agora Ahora frecuenta
As festas do “Grand Monde” las fiestas del “Grand Monde”
Meus heróis Mis héroes
Morreram de overdose murieron de sobredosis
Meus inimigos y mis enemigos
Estão no poder detienen el poder
Ideologia! ¡Ideología!
Eu quero uma pra viver Yo la quiero para vivir
Ideologia! ¡Ideología!
Eu quero uma pra viver Yo la quiero para vivir
O meu prazer Mi placer
Agora é risco de vida ahora es riesgo de vida
Meu sex and drugs Mi ‘sex and drugs’
Não tem nenhum rock ‘n’ roll no tiene nada de rock ‘n’ roll
Eu vou pagar Voy a pagar
A conta do analista la cuenta del psicólogo
Pra nunca mais Para nunca más
Ter que saber tener que saber
Quem eu sou quien soy yo
Ah! Saber quem eu sou Ah… ¡Saber quién soy yo!
Pois aquele garoto Pues aquel muchacho
Que ia mudar o mundo que iba a cambiar el mundo
Mudar o mundo cambiar el mundo
Agora assiste a tudo Ahora mira hacia el todo
Em cima do muro desde arriba del muro
Em cima do muro! ¡Desde arriba del muro!
Meus heróis Mis héroes
Morreram de overdose murieron de sobredosis
Meus inimigos y mis enemigos
Estão no poder detienen el poder
Ideologia! ¡Ideología!
Eu quero uma pra viver Yo la quiero para vivir
Ideologia! ¡Ideología!
Pra viver para vivir…

Português

Cazuza (1958-1990) foi um cantor e compositor brasileiro, um dos maiores ídolos da geração do pop-rock dos anos 80 no Brasil.

Agenor de Miranda Araújo Neto nasceu no Rio de Janeiro e foi criado em Ipanema. Filho de João Araújo, um dos gerentes da gravadora Som Livre. O nome Cazuza é um apelido que significava “moleque” no nordeste, já que o seu pai tinha origem pernambucana.

 

Cazuza estudou em colégio tradicional, o Santo Inácio de Loyola. Atuou como cantor pela primeira vez na peça teatral “Pára-quedas do Coração”, conclusão do curso de teatro.

No começo dos anos 80, tornou-se vocalista da banda Barão Vermelho, formada pelo guitarrista Frejat. Em 1983, gravaram a música Beth Balanço, que se tornou sucesso imediatamente. A canção foi trilha do filme de mesmo nome dirigido por Lael Rodrigues e estrelado por Débora Bloch.

Em 1984, lançou seu último sucesso com a banda, a canção “Maior Abandonado”. Em 1985, foi para a carreira-solo. Nesse mesmo ano, descobre que era portador do HIV e apresenta os sintomas decorrentes da AIDS. Em 1987, faz tratamento nos EUA para combater a doença.

Cazuza gravou a canção “Ideologia” em 1988 e ganhou o prêmio Sharp de música. Em 1989, admitiu publicamente a doença e lançou seu último álbum, “Burguesia”.

Cazuza morreu em 1990, no Rio de Janeiro, aos 32 anos.

Espanol:

Comenzó a escribir letras y poemas alrededor del año 1965. En 1974, en unas vacaciones en Londres, conoció la música de Led Zeppelin, Janis Joplin, y de los Rolling Stones, grupo del que se convirtió en fan.

Cazuza ingresó a la universidad en 1978, pero abandonó su carrera de periodismo apenas tres semanas después para trabajar con su padre en Som Livre. Luego fue a San Francisco, donde tuvo contacto con la literatura, que más tarde influiría mucho en su carrera.

En 1980 volvió a Río de Janeiro, donde trabajó con el grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone. Allí, fue observado por el entonces novato cantautor Léo Jaime, que lo presentó a una banda de rock que buscaba un vocalista, Barão Vermelho. Con Barão Vermelho, que tuvo un gran éxito con el tema Bete Balanço, Cazuza inició su carrera como cantante. En 1985, Cazuza se presentó en el Rock in Rio con Barão Vermelho. En ese período, Caetano Veloso declaró que Cazuza era el gran poeta de su generación. En ese mismo año Cazuza se infectó con el Virus de la Inmunodeficiencia Humana (VIH) desarrollando la enfermedad – sida, precipitando su deseo de dejar la banda con el fin de obtener más libertad para componer y expresarse tanto musical como poéticamente.

Luego de su ida de la banda, sus temas comenzaron a diversificarse, incorporando elementos de Blues como en Blues da Piedade, Só as mães são felizes y Balada da Esplanada, que estuvo basada en un poema homónimo de Oswald de Andrade, mostrando letras intimidantes, como en Só se for a Dois, también dejándose influir por la MPB (música popular brasileña), con interpretaciones de temas de distintos artistas como O Mundo é um Moinho (Cartola), Cavalos Calados (Raul Seixas) y Esse Cara (Caetano Veloso).

Al contrario de lo que normalmente sucede cuando un artista deja la banda que lo hizo famoso, la carrera solista de Cazuza tuvo más éxito del que había obtenido con su ex-banda. Exagerado, O Tempo não Pára e Ideología fueron sus grandes éxitos, que lo convirtieron en una gran influencia para los músicos brasileños posteriores.

En 1989, admitió públicamente por primera vez que tenía el virus del sida y lanzó su último álbum: Burguesía. Murió en Río de Janeiro en 1990 a los 32 años como consecuencia de su enfermedad.

Dos características fundamentales de su obra, especialmente en su etapa como solista, fueron:

Una postura activa frente a la vida, no apenas viviendo, describiendo y sufriendo con los hechos que pasaban en su vida personal sino también haciéndoles frente (en contraste con varios artistas del mismo período con un espíritu más romántico), fuesen acontecimientos sentimentales (Obrigado, O Mundo é um Moinho, Exagerado) o políticos (Burguesía);

Intimismo e individualismo, en el sentido de no expresarse en función de o considerando las opiniones ajenas a su entorno sino sobre las bases de sus creencias, deseos e impresiones y escribiendo en un lenguaje coloquial que generaba cierta intimidad entre el cantante y sus seguidores.

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Poema Amor Ideal. Autor Bráulio Bessa. Traducción al español Aline R. Fagundes

AMOR IDEAL Amor Ideal
Repare, que tanta gente no mundo Date cuenta, hay mucha gente en el mundo
Corre em busca de um amor en la búsqueda apresurada del amor.
Alguém que seja ideal De alguien que cumpla un ideal
Aquela altura determinada altura
Aquela cor determinado color
Aquele extrato bancário un buen extracto bancario
Aquele belo salário un bello salario
A quem ligue para a idade Hay gente que se importa por la edad,
Para raça, religião raza o religión,
Mas quem busca perfeição Hay gente que busca perfección
Não busca amor de verdade y no amor de verdad.
O ideal é amar Lo ideal es amar
Inclusive o diferente incluso lo diferente
Afinal, que graça tem Al fin de cuentas, ¿qué gracia tiene
Amar uma cópia da gente? querer a una copia nuestra?
Procure sem ter critérios Busca sin mucho criterio
O amor tem seus mistérios ya que el amor es un misterio
E deixa a gente atordoado que nos deja atolondrados.
Você sai para procurar Tú vas por ahí, buscando,
E ao invés de achar y en lugar de encontrar
Acaba sendo achado terminas por ser encontrado.
E quando o amor lhe acha Y cuando el amor te encuentra
Não tem para onde correr no tienes escapatoria.
Finda logo essa besteira Se esfuma la gran bobada
De mil coisas para escolher de mil opciones por escoger
Finda todo preconceito desaparece el preconcepto
É como se no seu peito es como si en tu pecho
Coubesse o mundo inteiro el mundo entero cupiera
Com todo tipo de gente con todo tipo de gente
E aceita que o diferente y aceptara que lo diferente
É só alguém verdadeiro es tan solo verdadero
Percebe que a estrada é repleta de amor Date cuenta, el camino está repleto de amor
E você, nessa jornada, Y tú, en esta jornada,
Vai sorrir, vai sentir dor sonreirás, sentirás dolor
Vai errar e acertar te equivocarás y acertarás
Na peleja para encontrar en la purga por encontrar
Um sentimento real un sentimiento real.
E uma dica, companheiro Y un consejo, compañero,
Se o amor for verdadeiro, Si el amor es verdadero
Já é o amor ideal ya es pues amor ideal.

 

Breve Biografía autor:

Bráulio Bessa Uchoa é um poeta de literatura de cordel, declamador e palestrante brasileiro. Nascido em Alto Santo, no Vale do Jaguaribe, Ceará, ficou famoso após apostar na internet para resgatar a tradicional literatura de cordel. Foi desta forma que seus vídeos com declamações já ultrapassaram 40 milhões de visualizações, tendo como marcas registradas o sotaque e o inseparável chapéu.

Ele também é o criador do projeto ‘Nação Nordestina’, que divulga a cultura do Nordeste na internet e que tem mais de um milhão de fãs/seguidores, o que o consagrou como ativista. Por tudo isso, Bráulio ganhou a alcunha de “embaixador do Nordeste”.

Seus videos na internet fizeram tanto sucesso que ele ganhou um quadro semanal no programa Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo, no qual ele apresenta a Cultura Nordestina sob um olhar poético.

Em 2016, ele foi escolhido pela FIFA para entregar o prêmio de Melhor Jogador da Partida, no jogo da Copa do Mundo, Alemanha x Gana, que aconteceu no dia 21/06 na Arena Castelão, em Fortaleza.

Em abril de 2017, com inspiração na poesia de Patativa do Assaré, Bráulio lançou o livro “Poesia com Rapadura” (editora CENE)

Em setembro de 2017, ele foi o principal palestrante da terceira edição do E-Day, que é uma das principais feiras acadêmicas promovidas por uma instituição privada no Brasil.

Poema del día: Solidao e companhia. Autora Clarice Lispector. Traducción al español Aline R. Fagundes

Que minha solidão me sirva de companhia. Que la soledad sea mi compañera.
que eu tenha a coragem de me enfrentar. Que yo tenga el valor de enfrentarme.
que eu saiba ficar com o nada Que yo sepa quedarme con la nada
e mesmo assim me sentir y todavía sentirme llena,
como se estivesse plena de tudo. plena de mundo

Breve biografía autora:

Clarice Lispector R.M (Chechelnik, 10 de diciembre de 1920 – Río de Janeiro, 9 de diciembre de 1977) fue una escritora brasileña de origen judío. Es considerada una de las más importantes escritoras brasileñas del siglo XX. Pertenece a la tercera fase del modernismo, el de la Generación del 45 brasileña. De difícil clasificación, ella misma definía su estilo como un «no estilo». Aunque su especialidad ha sido el relato, dejó un legado importante en novelas, como La pasión según G. H. y La hora de la estrella, además de una producción menor en libros infantiles, poemas y pintura.

Poema ‘Alento’. Autor Caio Fernando Abreu. Traducción al español escritora Aline Fagundes

Alento Aliento
Quando nada mais houver, Cuando ya no haya nada,
eu me erguerei cantando, yo me alzaré cantando,
saudando a vida saludando a la vida
com meu corpo de cavalo jovem. con mi cuerpo de joven caballo.
E numa louca corrida Y en una alocada carrera
entregarei meu ser ao ser do Tempo entregaré mi ser al ser del tiempo
e a minha voz à doce voz do vento. y mi voz a la dulce voz del viento.
Despojado do que já não há Despojado de lo que ya no hay
solto no vazio do que ainda não veio, esparcido en el vacío que aún no ha venido,
minha boca cantará mi boca cantará
cantos de alívio pelo que se foi, cantos de alivio por lo que se ha ido,
cantos de espera pelo que há de vir. cantos de espera por lo que aún vendrá.

 

Breve biografia em português:

Caio Fernando Loureiro de Abreu (Santiago, 12 de setembro de 1948 — Porto Alegre, 25 de fevereiro de 1996) foi um jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro.

Apontado como um dos expoentes de sua geração, a obra de Caio Fernando Abreu, escrita num estilo econômico e bem pessoal, fala de sexo, de medo, de morte e, principalmente, de angustiante solidão. Apresenta uma visão dramática do mundo moderno e é considerado um “fotógrafo da fragmentação contemporânea”.

 

 

 

Citaçao Ser Gordo. Autor Arnaldo Jabor. Traducción al español Aline Fagundes

‘Nao fique chateado se você passar a vida inteira gordo. Você terá toda a eternidade para ser só osso!”

‘No te molestes si te tiras la vida siendo un gordo ¡Tendrás toda la eternidad para ser solo hueso! ‘

Breve biografía:

Nasceu em 12/12/1940, no Rio de Janeiro. Cineasta,  jornalista e escritor. Na década de 1990, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional e no Bom Dia Brasil, o estilo irônico com que comenta os fatos da atualidade brasileira. Ao longo das décadas de 60, 70 e 80, dedicou-se ao cinema. Antes de lançar Pindorama (1970), seu primeiro filme de ficção, foi assistente de Carlos Diegues, Leon Hirszman e Paulo César Saraceni. Entre seus filmes mais famosos estão Toda nudez será castigada (1973) e Eu sei que vou te amar (1984). Em 1991, abandonou o cinema e iniciou colaboração semanal na Folha de S. Paulo, tornando-se uma das personalidades mais polêmicas da imprensa brasileira. Em 1995, começou a trabalhar como comentarista dos telejornais da Rede Globo. Como escritor já lançou cinco coletâneas de crônicas: Os canibais estão na sala de jantar (1993), Brasil na cabeça (1995), Sanduíches de realidade (1997), A invasão das salsichas gigantes Amor é prosa, sexo é poesia (2004). Em toda sua obra, seja no cinema ou no jornalismo, ele faz uma crônica dos vícios da classe média do país. Vem daí sua ligação com Nelson Rodrigues, cujo universo temático ele compartilha. Foi dele que Jabor herdou o gosto pela hipérbole e pelo adjetivo, abundantes em seus textos. Capaz de escrever com fluência em estilos variados, é pródigo em aliar citações eruditas a uma visão debochada da realidade brasileira.

Citaçao de Guimaraes Rosa. Traducción al español Aline Fagundes

“Contar é muito, muito dificultoso. Não pelos anos que se já passaram, mas pela astúcia que têm certas coisas passadas – de fazer balancê, de se remexerem dos lugares. O que eu falei foi exato? Foi. Mas teria sido? Agora acho que nem não. São tantas horas de pessoas, tantas coisas em tantos tempos, tudo miúdo recruzado.”
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Citaçao do romance “Grande Sertão: Veredas”.

“Contar es muy, pero que muy difícil. No tanto por los años que pasaron, pero más por la astucia que tienen ciertas cosas pasadas – de sacudirse, de moverse entre dos lugares. ¿Lo que dije es exacto? Sí. ¿Pero lo habría sido?Ahora pienso que no. Son tantas horas de personas, tantas cosas en tiempos distintos, menudas y entremezcladas.”

Cita de la novela “Grande Sertão: Veredas”.

 

 

Frase do dia ‘O Valor das Coisas’. Autor Fernando Sabino. Traducción al español Aline Fagundes

“O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”

“El valor de las cosas no está en el tiempo que duran pero sí en la intensidad con que ocurren.  Por tanto existen momentos inolvidables, cosas inexplicables y personas incomparables”

Poema “Amar”. Autor Carlos Drummond de Andrade. Traducción al español Aline Fagundes

 

Amar Amar
Que pode uma criatura senão, ¿Qué puede un humano sino,
entre criaturas, amar? entre humanos, amar?
amar e esquecer, Amar y olvidar,
amar e malamar, amar y detestar,
amar, desamar, amar? ¿amor, desamor, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar? ¿Siempre, y aun con ojos vidriosos, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso, ¿Qué puede, pregunto, el ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão solitario, en rotación universal, salvo
rodar também, e amar? girar y amar?
amar o que o mar traz à praia, Amar lo que el mar trae a la playa
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, y lo que él sepulta, y lo que, en la brisa marina,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia? ¿es sal, amor preciso o simple anhelo?
Amar solenemente as palmas do deserto, Amar, de modo solemne, a las palmas del desierto,
o que é entrega ou adoração expectante, a lo que es entrega o adoración expectante,
e amar o inóspito, o áspero, y amar lo inhóspito, áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro, un vaso sin flor, un suelo de hierro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina. el pecho inerte, la calle vista en sueños, y un ave de rapiña.
Este o nosso destino: amor sem conta, Es nuestro destino: amar sin ataduras,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, repartido en las cosas pérfidas o nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão, donación eterna a la completa ingratitud,
e na concha vazia do amor a procura medrosa, y en la concha huera la búsqueda
paciente, de mais e mais amor. temerosa, paciente de más amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa Amar nuestra carencia y desde nuestra aridez,
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita. amar el agua implícita, el beso tácito y la sed infinita.

Breve biografia em português:

Carlos Drummond de Andrade (1902–1987) foi um poeta brasileiro. “No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho”. Este é um trecho de uma das poesias de Drummond, que marcou o 2º Tempo do Modernismo no Brasil. Foi um dos maiores poetas brasileiros do século XX.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) nasceu em Itabira de Mato Dentro, interior de Minas Gerais, no dia 31 de outubro de 1902. Filho de Carlos de Paula Andrade e Julieta Augusta Drummond de Andrade, proprietários rurais. Em 1916, ingressou em um colégio interno em Belo Horizonte. Doente, regressou para Itabira, onde passou a ter aulas particulares. Em 1918, foi estudar em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, também no colégio interno.

Em 1921, começou a publicar artigos no Diário de Minas. Em 1922, ganha um prêmio de 50 mil réis, no Concurso da Novela Mineira, com o conto “Joaquim do Telhado”. Em 1923 matricula-se no curso de Farmácia da Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte. Em 1925 conclui o curso. Nesse mesmo ano casa-se com Dolores Dutra de Morais. Funda “A Revista”, veículo do Modernismo Mineiro.

Drummond leciona português e Geografia em Itabira, mas a vida no interior não lhe agrada. Volta para Belo Horizonte, emprega-se como redator no Diário de Minas. Em 1928 publica “No Meio do Caminho”, na Revista de Antropofagia de São Paulo, provocando um escândalo, com a crítica da imprensa. Diziam que aquilo não era poesia e sim uma provocação, pela repetição do poema. Como também pelo uso de “tinha uma pedra” em lugar de “havia uma pedra”. Ainda nesse ano, ingressa no serviço público como auxiliar de gabinete da Secretaria do Interior.

Em 1930 publica o volume “Alguma Poesia”, abrindo o livro com o “Poema de Sete Faces”, que se tornaria um dos seus poemas mais conhecidos: “Mundo mundo vasto mundo se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução”. Faz parte do livro também, o polêmico “No Meio do Caminho”, “Cidadezinha Qualquer” e “Quadrilha”.

Em 1934 muda-se para o Rio de Janeiro e assume a chefia de gabinete do Ministério da Educação, do ministro Gustavo Capanema. Em 1942 publica seu primeiro livro de prosa, “Confissões de Minas”. Entre os anos de 1945 e 1962, foi funcionário do Serviço Histórico e Artístico Nacional.

Em 1946, foi premiado pela Sociedade Felipe de Oliveira, pelo conjunto da obra. O Modernismo exerceu grande influência em Carlos Drummond de Andrade. O seu estilo poético era permeado por traços de ironia, observações do cotidiano, de pessimismo diante da vida e de humor. Drummond fazia verdadeiros “retratos existenciais” e os transformava em poemas com incrível maestria. Carlos Drummond de Andrade foi também tradutor de autores como Balzac, Federico Garcia Lorca e Molière.

Em 1950, viajou para a Argentina, para o nascimento de seu primeiro neto, filho de Julieta, sua única filha. Nesse mesmo ano estreia como ficcionista. Em 1962 se aposenta do serviço público mas sua produção poética não para. Os anos 60 e 70 são produtivos. Escreve também crônicas para jornais do Rio de Janeiro. Em 1967, para comemorar os 40 anos do poema “No Meio do Caminho” Drummond reuniu extenso material publicado sobre ele, no volume “Uma Pedra no Meio do Caminho – Biografia de Um Poema”.

Carlos Drummond de Andrade faleceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de agosto de 1987, doze dias depois do falecimento de sua filha, a escritora Maria Julieta Drummond de Andrade.

Poema ‘Mal Secreto’. Autor Raimundo Correia. Traducción al español Aline Fagundes

 

Poema Mal Secreto Poema Mal Secreto
Se a cólera que espuma, a dor que mora Si la cólera espumosa, el dolor que en el alma mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce, y destruye cada ilusión que nace,
Tudo o que punge, tudo o que devora Si todo lo punzante, lo que devora
O coração, no rosto se estampasse; el corazón en el rostro se estampase;
Se se pudesse o espírito que chora Si pudiera el espíritu que llora
Ver através da máscara da face, ver a través de la máscara, de la farsa
Quanta gente, talvez, que inveja agora Cuanta gente que, tal vez, hoy envidia
Nos causa, então piedade nos causasse! nos causa, ¡al fin piedad nos inspiraría!
Quanta gente que ri, talvez, consigo Cuanta gente que ríe, quizás, en sigilo
Guarda um atroz, recôndito inimigo, guarda un atroz y recóndito enemigo,
Como invisível chaga cancerosa! ¡Como invisible llaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe, Cuanta gente que ríe, tal vez, triste,
Cuja a ventura única consiste cuya exclusiva ventura consiste
Em parecer aos outros venturosa! ¡En mostrarse a los demás venturosa!

Breve biografía:

Raimundo da Mota Azevedo Correia – Nasceu a 13 de maio de 1860, a bordo do vapor São Luiz, na baia de Mogunca, nas costas do Maranhão. Bacharelou-se na Faculdade Direito de S!ao Paulo, em 1882. Promotor Público, em São João da Barra. Juiz Municipal, Em Vassouras, Estado do Rio. Pretor da 2a. Pretoria da Capital Federal. Lente da Escola de Direito de Ouro Preto. Professor e diretor do Ginásio Petropolis. Foi á Europa em busca de saúde e faleceu, em Paris, em 13 de setembro de 1911.

OBRAS – Primeiros Sonhos; Sinfonias; Versos e Versões; Aleluias; Poesias.  APRECIAÇÃO – “Estamos em presença do primeiro poeta parnasiano do Brasil. Nenhum outro conseguiu perfeição da forma poética de Raimundo, nem a delicadeza de sua inspiração, nem a variedade de seus temas. Fugiu á monotonia amorosa de Bilac, á insensibilidade de Alberto de Oliveira, tocando todos os assuntos, vibrando todos os sentimentos humanos, sempre delicado e profundo. Não nos sentimos embaraçados e dizer que Raimundo Correia é o primeiro poeta do Brasil”.