Poema del día: Ser Mulher. Autora Gilka Machado. Traducción Aline R. Fagundes

Poema em português

Ser Mulher …
Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida; a liberdade e o amor;
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior…
 
Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor;
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um senhor…
 
Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais…
 
Ser mulher, e, oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!

Poema en español:

Ser Mujer
Ser mujer, salir a la luz trayendo el alma tallada
a los gozos de la vida: la libertad y el amor,
Intentar, de la gloria, la etérea escalada,
en la eterna aspiración de un sueño superior…
 
Ser mujer, desear otro alma pura y alada
Para poder, con ella, el infinito atravesar
Sentir la vida triste, insípida, aislada,
por buscar a un compañero y a un ‘señor’ encontrar…
 
Ser mujer, calcular el tamaño del corto infinito
para la expansión del deseado ímpetu
en el ascenso espiritual hacia los ideales
 
Ser mujer es, ¡oh! ¡atroz, tántala tristeza!
Pasar por la vida como águila inerte, presa
¡a la pesada cadena de los preceptos sociales!

Breve biografía en español:

Gilka da Costa de Melo Machado conocida como Gilka Machado (Río de Janeiro, 12 de marzo de 1893 – Río de Janeiro, 11 de diciembre de 1980) fue una poeta brasileña.

En 1910 se casa con el poeta brasileño Rodolfo de Melo Machado, quedando viuda con dos hijos en 1923. Su obra se enmarca en el estilo simbolista, la cual causó a principios del siglo XX escándalo por su marcado erotismo.

Publicaciones

Cristais Partidos (1915)

A Revelação dos Perfumes (1916)

Estados de Alma (1917)

Poesias, 1915/1917 (1918)

Mulher Nua (1922) ​

O Grande Amor (1928) ​

Meu Glorioso Pecado (1928)

Carne e Alma (1931)

Sonetos y Poemas de Gilka Machado (1932 – en Bolivia)

Sublimação (1938)

Meu Rosto (1947)

Velha Poesia (1968)​

Poesias Completas (1978)

Premios y homenajes[editar]

“La mayor poetisa de Brasil” (1933- Revista O Malho – Rio de Janeiro).

“Premio Machado de Assis” (1979 – Academia Brasileira de Letras).​

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Poesía recitada: Entender é limitado. Autora Clarice Lispector. Traducción Aline R. Fagundes

Poema en español

No entiendo
Todo es tan vasto que sobrepasa cualquier entendimiento.
Entender es siempre limitado.
No entender no tiene fronteras.
Siento que soy más completa cuando no entiendo.
No entender, tal y como digo, es un don.
No entender, pero no como simple estado anímico.
Lo bueno es ser inteligente y no entender.
Es una rara bendición, como no estar cuerda sin ser loca.
Es un desinterés sosegado, la dulzura de la estupidez.
Pero de vez en cuando llega la inquietud: quiero entender un poco.
No en demasía: pero al menos entender que no entiendo.

Poema em português:

Não entendo.
Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Biografia em português

Clarice Lispector (1920-1977) foi escritora e jornalista brasileira,  nasceu em Tchetchelnik na Ucrânia, no dia 10 de dezembro de 1920. Filha de família de origem judaica, Pinkouss e Mania Lispector. Sua família veio para o Brasil em março de 1922, para a cidade de Maceió, Alagoas, onde morava Zaina, irmã de sua mãe. Nascida Haia Pinkhasovna Lispector, por iniciativa do seu pai, todos mudam de nome, e Haia passa a se chamar Clarice.

Em 1925 mudam-se para a cidade de Recife onde Clarice passa sua infância no Bairro da Boa Vista. Aprendeu a ler e escrever muito nova. Estudou inglês e francês e cresceu ouvindo o idioma dos seus pais o iídiche. Com 9 anos fica órfã de mãe. Em 1931 ingressa no Ginásio Pernambucano, o melhor colégio público da cidade.

 Em 1937 muda-se com a família para o Rio de Janeiro, indo morar no Bairro da Tijuca. Ingressa no Colégio Silva Jardim, onde era frequentadora assídua da biblioteca. Ingressa no curso de Direito. Com 19 anos publica seu primeiro conto “Triunfo” no semanário Pan. Em 1943 forma-se em Direito e casa-se com o amigo de turma Maury Gurgel Valente. Nesse mesmo ano estreou na literatura com o romance “Perto do Coração Selvagem”, que retrata uma visão interiorizada do mundo da adolescência, e teve calorosa acolhida da crítica, recebendo o Prêmio Graça Aranha.

 Clarice Lispector acompanha seu marido em viagens, na carreira de Diplomata no Ministério das Relações Exteriores. Em sua primeira viagem para Nápoles, Clarice trabalha como voluntária de assistente de enfermagem no hospital da Força Expedicionária Brasileira. Também morou na Inglaterra, Estados Unidos e Suíça, sempre acompanhando seu marido.

 Em 1948 nasce na Suíça seu primeiro filho, Pedro, e em 1953 nasce nos Estados Unidos o segundo filho, Paulo. Em 1959 Clarice se separa do marido e retorna ao Rio de Janeiro, com os filhos. Logo começa a trabalhar no Jornal Correio da Manhã, assumindo a coluna Correio Feminino. Em 1960 trabalha no Diário da Noite com a coluna Só Para Mulheres, e lança “Laços de Família”, livro de contos, que recebe o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Em 1961 publica “A Maçã no Escuro” pelo qual recebe o prêmio de melhor livro do ano em 1962.

 Clarice Lispector sofre várias queimaduras no corpo e na mão direita, quando dorme com um cigarro aceso, em 1966. Passa por várias cirurgias e vive isolada, sempre escrevendo. No ano seguinte publica crônicas no Jornal do Brasil e lança “O Mistério do Coelho Pensante”. Passa a integrar o Conselho Consultivo do Instituto Nacional do Livro. Em 1969 já tinha perto de doze volumes publicados. Recebeu o prêmio do X Concurso Literário Nacional de Brasília.

 A melhor prosa da autora se mostra nos contos de “Laços de Família” (1960) e de “A Legião Estrangeira” (1964). Em obras como “A Maçã no Escuro” (1961), “A Paixão Segundo G.H.” (1961) e “Água-Viva” (1973), os personagens, alienados e em busca de um sentido para a vida, adquirem gradualmente consciência de si mesmos e aceitam seu lugar num universo arbitrário e eterno.

 Clarice Lispector, escreveu “Hora da Estrela” em 1977, onde conta a história de Macabéa, moça do interior em busca de sobreviver na cidade grande. A versão cinematográfica desse romance, dirigida por Suzana Amaral em 1985, conquistou os maiores prêmios do festival de cinema de Brasília e deu à atriz Marcélia Cartaxo, que fez o papel principal, o troféu Urso de Prata em Berlim em 1986.

 Clarice Lispector morreu no Rio de Janeiro em 9 de dezembro de 1977. de câncer no ovário e foi enterrada no cemitério Israelita do Caju.

Más entradas sobre Clarice Lispector en español:

Poema Solidao e Companhia

Poema A Lucidez perigosa

 

Poema del día: ‘Motivo’. Autora Cecília Meireles. Traducción al español Aline R. Fagundes

Poema em português

Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Poema en español

Motivo
Yo canto porque existe el instante
y mi vida no está completa.
No soy alegre ni infausto:
Soy poeta.
Hermana de las cosas huidizas,
no siento júbilo ni tormento
Por noches y días transito,
en el viento
Si desmorono o si edifico
Si permanezco o me deshago,
No lo sé, no lo sé., Solo sé que me quedo
o que solo paso.
Sé que canto. Y la canción lo es todo.
Hay sangre eterna en el ala acompasada.
Y un día sé que estaré mudo:
el todo se acaba.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964) foi uma poetisa, pintora, professora e jornalista brasileira . É considerada uma das vozes líricas mais importantes das literaturas de língua portuguesa.

Em 1919, aos dezoito anos de idade, Cecília Meireles publicou seu primeiro livro de poesias, Espectros, um conjunto de sonetos simbolistas. Embora vivesse sob a influência do Modernismo, apresentava ainda, em sua obra, heranças do Simbolismo e técnicas do Classicismo, Gongorismo, Romantismo, Parnasianismo, Realismo e Surrealismo, razão pela qual a sua poesia é considerada atemporal.

Teve ainda importante atuação como jornalista, com publicações diárias sobre problemas na educação, área à qual se manteve ligada, tendo fundado, em 1934, a primeira biblioteca infantil do Brasil. Observa-se ainda seu amplo reconhecimento na poesia infantil com textos como Leilão de Jardim, O Cavalinho Branco, Colar de Carolina, O mosquito escreve, Sonhos da menina, O menino azul e A pombinha da mata, entre outros. Com eles traz para a poesia infantil a musicalidade característica de sua poesia, explorando versos regulares, a combinação de diferentes metros, o verso livre, a aliteração, a assonância e a rima. Os poemas infantis não ficam restritos à leitura infantil, permitindo diferentes níveis de leitura.

Nos Açores, de onde eram oriundos os seus pais4 , o nome de Cecília Meireles foi dado à escola básica da freguesia de Fajã de Cima, concelho de Ponta Delgada, terra de sua avó materna, Jacinta Garcia Benevides.

Após sua morte, recebeu como homenagem a impressão de uma cédula de cem cruzados novos. Esta cédula com a efígie de Cecília Meireles, lançada pelo Banco Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em 1989, seria mudada para cem cruzeiros, quando da troca da moeda pelo governo de Fernando Collor.

Otros posts de Cecília Meireles:

Poema Segundo Motivo da Rosa

 

Frase del día: Vestir la verdad. Autor Mario Quintana

Cualquier idea que te guste,
te gusta porque es tuya.
El autor no hace otra cosa que vestir la verdad
que dentro de ti se encontraba desnuda.

Qualquer idéia que te agrade,
Por isso mesmo… é tua.
O autor nada mais fez que vestir a verdade
Que dentro de ti se achava inteiramente nua…

Breve biografía:

Mário Quintana (Alegrete, 30 de julio de 1906 — Porto Alegre, 5 de mayo de 1994) fue un poeta brasileño. Quintana hizo sus primeras letras en su ciudad natal, se mudó en 1919 para Porto Alegre, donde estudió en el Colegio Militar de Porto Alegre, publicó allí sus primeras producciones literarias. Trabajó para la Editora Globo y en la farmacia paterna. Considerado el “poeta de las cosas simples”, con un estilo marcado por la ironía, por la profundidad y por la perfección técnica, trabajó como periodista casi toda su vida. Tradujo más de 130 obras de la literatura universal, entre ellas En busca del tiempo perdido de Marcel Proust, Mrs Dalloway de Virginia Woolf y Palabras y Sangre, de Giovanni Papini.

Canción del día: “Roda Viva”. Artista Chico Buarque. Traducción al español Aline R. Fagundes

Canção: Roda Viva

Tem dias que a gente se sente Hay días en que uno se siente
Como quem partiu ou morreu Como quién ya partió o murió
A gente estancou de repente El tiempo se estancó de repente
Ou foi o mundo então que cresceu O entonces el mundo creció
A gente quer ter voz ativa Uno quiere tener voz activa
No nosso destino mandar a su propio destino trazar
Mas eis que chega a roda-viva Pero así llega la rueda viva
E carrega o destino pra lá y anula el destino sin más
Roda mundo, roda-gigante Gira mundo, rueda gigante
Roda moinho, roda pião Gira molino, gira peón
O tempo rodou num instante El tiempo gira en un instante
Nas voltas do meu coração en las vueltas de mi corazón
A gente vai contra a corrente Uno nada contra corriente
Até não poder resistir Hasta no poder resistir
Na volta do barco é que sente Ya en el barco presiente
O quanto deixou de cumprir aquello que dejó de cumplir
Faz tempo que a gente cultiva Hace tiempo que uno cultiva
A mais linda roseira que há El rosedal más lindo que hay
Mas eis que chega a roda-viva Pero así llega la rueda viva
E carrega a roseira pra lá y destruye las rosas sin más
Roda mundo, roda-gigante Gira mundo, rueda gigante
Roda moinho, roda pião Gira molino, gira peón
O tempo rodou num instante El tiempo gira en un instante
Nas voltas do meu coração en las vueltas de mi corazón
A roda da saia, a mulata El bajo de la falda de la mulata
Não quer mais rodar, não senhor No quiere más rodar, no señor
Não posso fazer serenata No puedo hacerle serenata
A roda de samba acabou Porque la samba ya acabó
A gente toma a iniciativa Uno toma la iniciativa
Viola na rua, a cantar Guitarra en mano, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva Pero así llega la rueda viva
E carrega a viola pra lá Y se lleva la guitarra sin más
Roda mundo, roda-gigante Gira mundo, rueda gigante
Roda moinho, roda pião Gira molino, rueda peón
O tempo rodou num instante El tiempo gira en un instante
Nas voltas do meu coração en las vueltas de mi corazón
O samba, a viola, a roseira El samba, la guitarra, las rosas
Um dia a fogueira queimou Un día la hoguera los quemó
Foi tudo ilusão passageira Fue todo una ilusión transitoria
Que a brisa primeira levou Que la primera brisa se llevó
No peito a saudade cativa En el pecho la nostalgia cautiva
Faz força pro tempo parar Intenta al tiempo estancar
Mas eis que chega a roda-viva Pero así llega la rueda viva
E carrega a saudade pra lá Y borra la nostalgia sin más
Roda mundo, roda-gigante Gira mundo, rueda gigante
Rodamoinho, roda pião Gira molino, gira peón
O tempo rodou num instante El tiempo gira en un instante
Nas voltas do meu coração en las vueltas de mi corazón
Roda mundo, roda-gigante Gira mundo, rueda gigante
Rodamoinho, roda pião Gira molino, gira peón
O tempo rodou num instante El tiempo rueda en un instante
Nas voltas do meu coração en las vueltas de mi corazón
Roda mundo, roda-gigante Gira mundo, rueda gigante
Roda moinho, roda pião Gira molino, gira peón
O tempo rodou num instante El tiempo gira en un instante
Nas voltas do meu coração en las vueltas de mi corazón

Breve Resenha do artista:

Chico Buarque de Holanda (1944-) é músico, dramaturgo e escritor brasileiro. Revelou-se ao público quando ganhou com a música “A Banda”, interpretada por Nara Leão, o primeiro Festival de Música Popular Brasileira. Chico logo conquistou reconhecimento de críticos e público. Fez parceria com compositores e interpretes de grande destaque, entre eles, Vinícios de Morais, Tom Jobim, Toquinho, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Edu Lobo e Francis Hime. Teve várias músicas censuradas e ameaçado pelo regime militar, se exilou na Itália em 1969. Suas canções denunciavam aspectos sociais e culturais da época. Sua volta ao Brasil em 1970, foi comemorada com manifestações de amigos e admiradores. Chico foi casado com a atriz Marieta Severo, com quem teve três filhas, Silvia, Helena e Luíza. Seus últimos romances publicados foram: Estorvo (1991), Benjamim (1995), Budapeste (2003) e Leite Derramado (2009).

Francisco Buarque de Holanda (1944-) mais conhecido como Chico Buarque de Holanda, nasceu no Rio de janeiro, é filho do historiador Sérgio Buarque de Holanda e da pianista Maria Amélia Cesário Alvim. Em 1946 a família muda-se para São Paulo, onde seu pai é nomeado diretor do Museu do Ipiranga. Em 1953, Chico e a família vão morar na Itália, onde Sérgio Buarque vai dar aulas na Universidade de Roma. De volta a São Paulo, Chico já mostrando interesse pela música, compõe “Umas Operetas” que cantava com as irmãs. A música fazia parte do seu dia a dia, ouvia músicas de Noel Rosas e Ataúlfo Alves. Recebeu grande influência musical de João Gilberto.

Em 1963 Chico Buarque ingressa no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, onde participa de movimentos estudantis. Nesse mesmo ano participa do musical Balanço do Orfeu com a música “Tem mais Samba”, que segundo ele, foi o ponto de partida para sua carreira. Participa também do show Primeira Audição, no Colégio Rio Branco, com a “Marcha Para um Dia de Sol”.

Chico Buarque apresenta-se, em 1964, no programa Fino da Bossa, comandado pela cantora Elis Regina. Chico logo conquistou o reconhecimento do público. No ano seguinte lança seu primeiro disco compacto com as músicas “Pedro Pedreiro” e “Sonho de um Carnaval”. Faz também as músicas para o poema “Morte e Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto, que ao ser apresentada no IV Festival de Teatro Universitário de Nancy, na França, ganha o prêmio de crítica e público.

Em 1966 sua música “A Banda”, cantada por Nara Leão, vence o Festival de Música Popular Brasileira”. Nesse mesmo ano sai o seu primeiro LP “Chico Buarque de Holanda”. Suas primeiras canções, como “Pedro pedreiro”, impregnadas de preocupações sociais, foram seguidas de composições líricas como “Olê, olá”, “Carolina” e “A Banda”. Ainda nesse ano Chico casa-se com a atriz Marieta Severo, com quem teve três filhas, Silvia, Helena e Luíza.

Chico Buarque muda-se para o Rio de Janeiro em 1967, e lança seu segundo LP “Chico Buarque de Holanda V.2”. Nesse mesmo ano escreve a peça “Roda Viva”. Faz parceria com Tom Jobim e vencem com a música “Sabiá”, o Festival Internacional da Canção, em 1968.

Em 1969 Chico participa da passeata dos cem mil, contra a repressão do regime militar. Nesse mesmo ano vai exilado para a Itália, só retornando em 1970. Na Itália assina um contrato com a gravadora Philips, para produção de mais um disco. Sua música “Apesar de Você” vende cerca de 100 mil cópias, mas é censurada e recolhida das lojas.

Depois do show no Teatro Castro Alves em 1972, com Caetano Veloso e o do Canecão, com Maria Betânia, em 1975, Chico passa um longo período sem se apresentar, mas continua produzindo. Escreve a peça Gota d’água, em parceria com Paulo Pontes, o que lhe valeu o prêmio Molière. Escreve a música “Vai trabalhar vagabundo”, para o filme do mesmo nome e a música “O que será”, escrita para o filme “Dona flor e seus dois maridos”

Poema del día: Cançao do Exílio. Autor Gonçalves Dias. Traducción literaria Aline R. Fagundes

Poema Canción del Exilio

 
Mi tierra tiene palmeras,
desde donde canta el zorzal.
Las aves, que aquí gorjean,
no lo hacen como allá.
Nuestro cielo tiene más estrellas,
Nuestras vegas tienen más flores,
Nuestros bosques tienen más vida,
Nuestra vida más amores.
Al cavilar, solo, por la noche,
Más placer encuentro allá.
Mi tierra tiene palmeras,
de donde canta el zorzal;
Mi tierra tiene virguerías,
que no hallo por aquí;
Al cavilar, solo, por la noche
Más placer encuentro allí.
Mi tierra tiene palmeras,
desde donde canta el zorzal.
No permita Dios que me muera,
Antes que me vuelva p’allá.
Sin que disfrute de las virguerías
que no encuentro acá.
Sin que aviste las palmeras
desde donde canta el zorzal

Poema original Cançao do Exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Breve biografia em português:

Gonçalves Dias (Antônio Gonçalves Dias), poeta, professor, crítico de história, etnólogo, nasceu em Caxias, MA, em 10 de agosto de 1823, e faleceu em naufrágio, no Maixio dos Atins, MA, em 3 de novembro de 1864. É o patrono da cadeira n. 15, por escolha do fundador Olavo Bilac.

Era filho natural de João Manuel Gonçalves Dias, comerciante português, natural de Trás-os-Montes, e de Vicência Ferreira, mestiça. Perseguido pelas exaltações nativistas, o pai refugiara-se com a companheira perto de Caxias, onde nasceu o futuro poeta. Casado em 1825 com outra mulher, o pai levou-o consigo, deu-lhe instrução e trabalho e matriculou-o no curso de Latim, Francês e Filosofia do Prof. Ricardo Leão Sabino. Em 1838 Gonçalves Dias embarcaria para Portugal, para prosseguir nos estudos, quando lhe faleceu o pai. Com a ajuda da madrasta pôde viajar e matricular-se no curso de Direito em Coimbra. A situação financeira da família tornou-se difícil em Caxias, por efeito da Balaiada, e a madrasta pediu-lhe que voltasse, mas ele prosseguiu nos estudos graças ao auxílio de colegas, formando-se em 1845. Em Coimbra, ligou-se Gonçalves Dias ao grupo dos poetas que Fidelino de Figueiredo chamou de “medievalistas”. À influência dos portugueses virá juntar-se a dos românticos franceses, ingleses, espanhóis e alemães. Em 1843 surge a “Canção do exílio”, uma das mais conhecidas poesias da língua portuguesa.

Regressando ao Brasil em 1845, passou rapidamente pelo Maranhão e, em meados de 1846, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde morou até 1854, fazendo apenas uma rápida viagem ao Norte em 1851. Em 1846 havia composto o drama Leonor de Mendonça, que o Conservatório do Rio de Janeiro impediu de representar a pretexto de ser incorreto na linguagem; em 1847 saíram os Primeiros cantos, com as “Poesias americanas”, que mereceram artigo encomiástico de Alexandre Herculano; no ano seguinte, publicou os Segundos cantos e, para vingar-se dos seus gratuitos censores, conforme registram os historiadores, escreveu as Sextilhas de Frei Antão, em que a intenção aparente de demonstrar conhecimento da língua o levou a escrever um “ensaio filológico”, num poema escrito em idioma misto de todas as épocas por que passara a língua portuguesa até então. Em 1849, foi nomeado professor de Latim e História do Colégio Pedro II e fundou a revista Guanabara, com Macedo e Porto-Alegre. Em 1851, publicou os Últimos cantos, encerrando a fase mais importante de sua poesia.

A melhor parte da lírica dos Cantos inspira-se ora da natureza, ora da religião, mas sobretudo de seu caráter e temperamento. Sua poesia é eminentemente autobiográfica. A consciência da inferioridade de origem, a saúde precária, tudo lhe era motivo de tristezas. Foram elas atribuídas ao infortúnio amoroso pelos críticos, esquecidos estes de que a grande paixão do poeta ocorreu depois da publicação dos Últimos cantos. Em 1851, partiu Gonçalves Dias para o Norte em missão oficial e no intuito de desposar Ana Amélia Ferreira do Vale, de 14 anos, o grande amor de sua vida, cuja mãe não concordou, ao que tudo indica por motivos de sua origem bastarda e mestiça. Frustrado, casou-se no Rio, em 1852, com Olímpia Carolina da Costa. Foi um casamento de conveniência, origem de grandes desventuras para o poeta, devidas ao gênio da esposa, da qual se separou em 1856. Tiveram uma filha, falecida na primeira infância.

Nomeado para a Secretaria dos Negócios Estrangeiros, permaneceu na Europa de 1854 a 1858, em missão oficial de estudos e pesquisa. Em 1856, viajou para a Alemanha e, na passagem por Leipzig, em 1857, o livreiro-editor Brockhaus editou os Cantos, os primeiros quatro cantos de Os Timbiras, compostos dez anos antes, e o Dicionário da língua Tupi. Voltou ao Brasil e, em 1861 e 1862, viajou pelo Norte, pelos rios Madeira e Negro, como membro da Comissão Científica de Exploração. Voltou ao Rio de Janeiro em 1862, seguindo logo para a Europa, em tratamento de saúde, bastante abalada, e buscando estações de cura em várias cidades européias. Em 25 de outubro de 1863, embarcou em Bordéus para Lisboa, onde concluiu a tradução de A noiva de Messina, de Schiller. Voltando a Paris, passou em estações de cura em Aix-les-Bains, Allevard e Ems. Em 10 de setembro de 1864, embarcou para o Brasil no Havre no navio Ville de Boulogne, que naufragou, no Baixio de Atins, nas costas do Maranhão, tendo o poeta, que já se encontrava agonizante, perecido no camarote, sendo a única vítima do desastre, aos 41 anos de idade.

Todas as suas obras literárias, compreendendo os Cantos, as Sextilhas, a Meditação e as peças de teatro (Patkul, Beatriz Cenci e Leonor de Mendonça), foram escritas até 1854, de maneira que, segundo Sílvio Romero, se tivesse desaparecido naquele ano, aos 31 anos, “teríamos o nosso Gonçalves Dias completo”. O período final, em que dominam os pendores eruditos, favorecidos pelas comissões oficiais e as viagens à Europa, compreende o Dicionário da língua Tupi, os relatórios científicos, as traduções do alemão, a epopeia inacabada Os Timbiras, cujos trechos iniciais, que são os melhores, datam do período anterior.

Sua obra poética, lírica ou épica, enquadrou-se na temática “americana”, isto é, de incorporação dos assuntos e paisagens brasileiros na literatura nacional, fazendo-a voltar-se para a terra natal, marcando assim a nossa independência em relação a Portugal. Ao lado da natureza local, recorreu aos temas em torno do indígena, o homem americano primitivo, tomado como o protótipo de brasileiro, desenvolvendo, com José de Alencar na ficção, o movimento do Indianismo. Os indígenas, com suas lendas e mitos, seus dramas e conflitos, suas lutas e amores, sua fusão com o branco, ofereceram-lhe um mundo rico de significação simbólica. Embora não tenha sido o primeiro a buscar na temática indígena recursos para o abrasileiramento da literatura, Gonçalves Dias foi o que mais alto elevou o Indianismo. A obra indianista está contida nas “Poesias americanas” dos Primeiros cantos, nos Segundos cantos e Últimos cantos, sobretudo nos poemas “Marabá”, “Leito de folhas verdes”, “Canto do piaga”, “Canto do tamoio”, “Canto do guerreiro” e “I-juca-pirama”, este talvez o ponto mais alto de sua obra e de toda a poesia indianista. É uma das obras-primas da poesia brasileira, graças ao conteúdo emocional e lírico, à força dramática, ao argumento, à linguagem, ao ritmo rico e variado, aos múltiplos sentimentos, à fusão do poético, do sublime, do narrativo, do diálogo, culminando na grandeza da maldição do pai ao filho que chorou na presença da morte.

Pela obra lírica e indianista, Gonçalves Dias é um dos mais típicos representantes do Romantismo brasileiro e forma, com José de Alencar na prosa, a dupla que conferiu caráter nacional à literatura brasileira.

Canción del día: Sozinho. Artista Caetano Veloso. Traducción Aline R. Fagundes

 

Cançao Sozinho original

Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto?
Porque você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho!
Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho os meus segredos e planos secretos
só abro pra você, mais ninguém
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?
Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

Poema Solo. Traducción literaria Aline R. Fagundes

A veces, en el silencio de la noche
me quedo imaginándonos
Me quedo así, soñando despierto
Juntando el antes, el ahora y el después
¿Por qué me dejas tan libre?
¿Por qué no te pegas a mí?
¡Es que me siento muy solo!
No soy, ni pretendo ser tu dueño
es que una caricia también viene bien
Tengo mis deseos y planos secretos
y te los desvelo a ti, a nadie más.
¿Por qué me olvidas y desapareces?
¿Y si llego a interesarme por alguien?
¿Y si ella, de repente, me conquista?
Cuando uno quiere,
por supuesto que lo cuida.
Dices que me amas
pero parece solo de boquilla
O tú me engañas
O no eres maduro
¿Dónde estás ahora?

Breve biografía del artista:

Nació el 7 de agosto de 1942 en Santo Amaro (Brasil).

Fue el quinto de los siete hijos de José Teles Veloso (1901-1983) y Claudionor Viana Teles Veloso (1907-2012). Al poco tiempo su familia se trasladó a Salvador, donde pasó su juventud y estudió en la Universidad de Artes.

A fines de 1966 acompañó a su hermana María Bethania, quien había sido invitada a cantar en una obra musical en Rio de Janeiro; obtuvo su primer éxito cuando su hermana grabó sus primera composición. Rápidamente ganó algunos premios y pudo grabar su primer álbum con Gal CostaDomingo.

En 1968, junto a Gilberto Gil, fue uno de los primeros emprendedores del Tropicalismo, movimiento cultural cuyo objetivo era la re-evaluación de la música tradicional brasilera. Grabó en 1968 su primer álbum solista llamado Caetano Veloso y su música cruzó las fronteras con su controvertida E Proibido Proibir. Le fueron otorgados varios premios en distintos Festivales de Televisión. Un año después, logró con su álbum Tropicalia, que surgiera el movimiento musical antes mencionado y del que formaban parte algunos músicos de Bahía como, Gilberto Gil, Gal Costa o Maria Bethania.

En 1969 se vio obligado a marchar como exiliado a Londres, tres años más tarde regresó a Brasil y grabó Araca Azul, un disco experimental. En 1976 formó un grupo con Gilberto Gil, Gal Costa y María Bethania, e hicieron una gira por Brasil con el nombre de Doces Barbaros.

Bicho fue lanzado en 1977 influenciado por el contacto que tuviera con la cultura nigeriana, donde había estado algunos meses antes. Ese mismo año fue publicado Alegria, un libro que es una colección de artículos y poemas que abarca desde 1965 hasta 1976. En 1981 se hizo con su primer éxito con Outras palavras, y a partir de entonces su fama se extendió a todos los rincones del mundo. Ya en 1989 fue lanzado Estrangeiro. En 1991 apareció un nuevo álbum llamado Circulado. La letra que dio nombre al álbum fue un poema de Harol do Campos, poeta brasilero. El diseño de la tapa de Circulado Vivo fue idea de Caetano y fue lanzada en 1992 como una pieza maestra. En 1993 fue lanzado Tropicalia 2 con Gilberto Gil. Fina Estampa aparece en el 2000 y Noites do Norteun año después. En 2006 lanza Ce, un disco con canciones inéditas. En noviembre de 2012 es galardonado con un Grammy Latino como personalidad del año.

Ha recibido un total de nueve premios Grammy Latinos y dos premios Grammy. El 14 de noviembre de 2012, fue honrado como Latin Recording Academy Person of the Year.

Casado con Andrea Gadelha (Dedé) el 21 de noviembre de 1967. Su hijo Moreno nació el 22 de noviembre de 1972, y su hija Júlia, nacida el 13 de diciembre de 1983, murió a los pocos días. El padre de Veloso murió el 13 de diciembre de 1983. El matrimonio se separó en 1983. En 1986 se casó con Paula Lavigne, con la que tuvo dos hijos más, Zeca Lavigne Veloso, nacida el 7 de marzo de 1992, y Tom Lavigne Veloso, el 25 de enero 1997, en Salvador. Aunque se separaron en 2004, siguieron trabajando juntos.

Poema del día: Amor. Autora Hilda Hilst. Traducción al español Aline R. Fagundes

Poema original português

Amor
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua de estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas.
E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena.
E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida

Poema traducción literaria al español:

Amor
Que este amor no me ciegue ni me siga.
E de mí misma nunca se percate.
Que me exima de estar siendo perseguida
y del tormento
de solo por él saberme siendo.
Que la mirada no se pierda en tulipanes
pues formas tan perfectas de encanto
vienen del fulgor de las tinieblas.
Y mi Señor mora en el oscuro rutilante
en la sustancia de yedras, en un muro gigante.
Que este amor me deje insatisfecha
y llena de fatiga.
Y por tantas fragilidades
 me haga yo pequeña.
Diminuta y tierna
como suelen ser las arañas y hormigas.
Que este amor solo me pille en la partida

Breve biografía autora:

Hilda de Almeida Prado Hilst conocida como Hilda Hilst (Jaú, 21 de abril de 1930 – Campinas, 4 de febrero de 2004) fue una poeta, cronista y dramaturga brasileña, considerada por la crítica una de las escritoras en lengua portuguesa más importantes del siglo XX.

Hilda Hilst escribió durante casi cincuenta años y fue galardonada con los más importantes premios literarios de Brasil. En 1962 recibió el Premio PEN Clube de São Paulo, por Sete Cantos do Poeta para o Anjo (Massao Ohno Editor, 1962). En 1969 la obra O Verdugo fue galardonada con el premio Anchieta, uno de los más importantes premios del país en su momento. El mismo año la cantata Pequenos Funerais Cantantes, compuesta por su primo, el compositor Almeida Prado, sobre el poema homónimo de Hilda, dedicado al poeta portugués Carlos Maria Araújo, resultó ganadora en el I Festival de Música da Guanabara*

La Asociación Paulista de Críticos de Arte (Premio APCA) consideró Ficções (Ediciones Quíron, 1977) el mejor libro del año. En 1981 la misma asociación galardonó a Hilda Hilst con el Grande Prêmio da Crítica al conjunto de su obra. En 1984 la Cámara Brasileña del Libro concedió el premio Jabuti a Cantares de Perda e Predileção (Massao Ohno – M. Lydia Pires y Albuquerque editores, 1983), y el año siguiente, la misma obra recibió el premio Cassiano Ricardo (Clube de Poesía de São Paulo). Rútilo Nada, publicado en 1993 por la editorial Pontes, recibió el premio Jabuti al mejor cuento. Finalmente, el 9 de agosto de 2002 fue galardonada en la 47ª edición del Premio Moinho Santista en la categoría poesía.

La escritora además participó, a partir de 1982, del Programa del Artista Residente, de la Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.

Sus obras abordan temáticas socialmente controvertidas. Sin embargo, según confesó la propia escritora en una entrevista a Cadernos de Literatura Brasileira*, su trabajo buscaba esencialmente reflejar la difícil relación entre Dios y el hombre.

Canción del día: “Tempo Perdido”. Artistas Legião Urbana. Traducción al español Aline R. Fagundes

 

Canção Tempo Perdido

Todos os dias, quando acordo 
Todos los días cuando me despierto
Não tenho mais o tempo que passou 
Ya no dispongo del tiempo que pasó
Mas tenho muito tempo 
Pero aún tengo mucho tiempo
Temos todo o tempo do mundo 
Tenemos todo el tiempo del mundo
Todos os dias, antes de dormir 
Todos los días, antes de dormir
Lembro e esqueço como foi o dia 
evoco y olvido el mismo día
Sempre em frente 
Siempre hacia adelante
Não temos tempo a perder 
No tenemos tiempo que perder
Nosso suor sagrado 
Nuestro sudor es sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo 
Y mucho más bello que esa sangre amarga
E tão sério 
Y tan serio
E selvagem 
Y salvaje
Selvagem 
Salvaje
Selvagem… 
Salvaje
Veja o sol dessa manhã tão cinza 
Mira el sol de la mañana gris
A tempestade que chega 
La tempestad que se acerca
É da cor dos seus olhos 
tiene el color de tus ojos
Castanhos 
Marrones
Então me abraça forte e… 
Entonces abrázame fuerte
Me diz mais uma vez 
Y dime una vez más
Que já estamos distantes de tudo 
Que ya estamos lejos del mundo
Temos nosso próprio tempo 
Tenemos nuestro tiempo propio
Temos nosso próprio tempo 
Tenemos nuestro propio tiempo
Temos nosso próprio tempo 
Tenemos nuestro tiempo propio
Não tenho medo do escuro 
No temo la oscuridad
Mas deixe 
Pero déjame
As luzes acesas 
las luces encendidas
Agora 
Ahora
O que foi escondido 
Lo que se ha escondido
É o que se escondeu 
Es lo que se escondió
E o que foi prometido 
Y lo que ha sido prometido
Ninguém prometeu 
Nadie lo prometió
Nem foi tempo perdido 
Tampoco fue tiempo perdido
Somos tão jovens 
Somos tan jóvenes
Tão Jovens 
Tan jóvenes
Tão jovens…
Tan jóvenes

Traducción Aline Fagundes. Feb2014

Breve resenha artista

Português

A banda foi formada em agosto de 1982 poucos meses após uma discussão de Renato Russo com sua antiga banda, Aborto Elétrico, devido a uma briga com o integrante Fê Lemos (bateria) na música “Veraneio Vascaína” (na ocasião, Renato havia errado a letra e levou uma baquetada em pleno show). Com o fim da banda, Fê Lemos e seu irmão, Flávio Lemos (contrabaixo), reúnem-se com Dinho Ouro Preto e formam o Capital Inicial. Para compor, Renato Russo se inspirava em bandas como Sex Pistols, The Beatles, Ramones, Gang of Four, The Smiths, The Cure, Talking Heads e Joy Division e no filósofo Jean-Jacques Rousseau (daí a inspiração para o nome artístico)

As Quatro Estações (1989)

O álbum As Quatro Estações de 1989, é considerado por fãs o melhor e mais inspirado trabalho do grupo, e inclusive pelo próprio Renato Russo. O disco possui o maior número de hits: são onze canções das quais pelo menos nove foram tocadas incessantemente nas rádios brasileiras.É o álbum mais vendido da Legião, com mais de 1,7 milhão de cópias, considerado a obra mais “religiosa” da banda. A obra de Renato Russo e, por consequência, da Legião Urbana circulava pelas fronteiras entre a ética pública e a ética privada, como definiu Arthur Dapieve no livro “Renato Russo, o Trovador Solitário”. Seja na condução do país, da coisa pública, dos meios de comunicação ou na sinceridade e respeito aos sentimentos individuais, era preciso disciplina, compaixão, bondade e coragem. Neste disco, essas esferas da vida de todo cidadão eram rediscutidas. Juntando Camões com a filosofia de textos bíblicos e budistas, a poesia de Renato chegava ao auge da forma e se tornava ainda mais precisa sobre os problemas do seu tempo. Do desgaste das relações familiares à Aids, da intolerância e dos preconceitos sexistas ao amor romântico idealizado e inatingível, a Legião Urbana encerrava os anos 80 traçando o panorama daqueles tempos e jogando luzes de esperança para dias tão sombrios.

O baixista Renato Rocha tocou com o trio nos três primeiros álbuns e chegou a gravar o baixo de algumas faixas do álbum, porém deixou o grupo devido a desentendimentos com os outros membros. As linhas de baixo originalmente gravadas por Rocha foram regravadas por Dado e Renato, que se revezaram nos baixos e guitarras. Músicas muito conhecidas, como “Pais e Filhos” e “Monte Castelo” fizeram parte deste álbum.

Fim da banda

O último concerto da Legião Urbana aconteceu em 14 de janeiro de 1995, na casa de apresentações “Reggae Night” em Santos, litoral do estado de São Paulo. No mesmo ano, todos os discos de estúdio da banda até 1993 foram remasterizados no lendário estúdio britânico Abbey Road Studios, em Londres, famoso por vários discos dos Beatles; e lançados em uma lata, intitulada “Por Enquanto 1984-1995”. A lata também incluía um pequeno livro, com um texto escrito pelo antropólogo Hermano Vianna, irmão do músico Herbert Vianna. A Tempestade ou O Livro dos Dias, lançado em 20 de setembro de 1996 , foi o último da banda com o Renato Russo vivo. Além disso, o álbum possui densas músicas, alternando o rock clássico de “Natália” e “Dezesseis”, ao lirismo de “L’Aventura”, “A Via Láctea”, “Leila”, “1º de Julho” e “O Livro dos Dias” e ao classicismo de “Longe do Meu Lado”. As letras, em geral, abordam temas como solidão, passado, amor, depressão, homossexualidade, AIDS, intolerância e injustiças, sendo um disco “melodramático” e de alma triste.

Algumas canções do disco sugerem uma despedida antecipada, como diz o trecho “e quando eu for embora, não, não chore por mim”, da canção “Música Ambiente”. As fotos do encarte foram tiradas próximas à época do lançamento, exceto a de Renato, que foi aproveitada da sessão de fotos do seu álbum solo Equilíbrio Distante de 1995, já que o cantor, um pouco debilitado, se recusou a fotografar para o disco. O álbum A Tempestade foi lançado inicialmente na época como um clássico livrinho com capa de papelão e anos depois relançado como álbum comum (caixa de plástico). A foto do guitarrista Dado é diferente entre as duas versões. Com exceção de “A Via Láctea”, as demais faixas do álbum possuem apenas a voz guia de Renato, que não quis gravar as vozes definitivas. Também não foram incluídas as frases “Urbana Legio Omnia Vincit” e “Ouça no Volume Máximo”, presentes nos discos do grupo. Em seu lugar, uma frase do escritor modernista brasileiro Oswald de Andrade: “O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus”. O fim oficial da banda aconteceu em 22 de outubro de 1996, onze dias após a morte do mentor, líder e fundador da banda. Renato Russo faleceu 21 dias após o lançamento de A Tempestade, no dia 11 de Outubro de 1996. Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá seguiram suas carreiras e lançaram discos solo nos anos seguintes

Espanol

Formada en agosto de 1982, pocos meses después de un desentendimiento entre Renato Russo y su antigua banda, Aborto Elétrico, después de una pelea con uno de los integrantes, Fê Lemos (bateria), sobre una canción llamada “Veraneio Vascaína” (en ese momento Renato se había equivocado con la letra y se llevó una bronca durante el show). Luego del fin de la banda, Fê Lemos y su hermano, Flávio Lemos (contrabajo), se reunieron con Dinho Ouro Preto y armaron la banda Capital Inicial.

Para componer, Renato Russo se inspiraba en bandas como Sex Pistols, The Beatles, Ramones, Gang of Four, The Smiths, The Cure, Talking Heads y Joy Division así como en el filósofo Jean-Jacques Rousseau (de donde proviene su nombre artístico. Russo)

As Quatro Estações (1989)

El álbun As Quatro Estações de 1989, es considerado por sus fans como el mejor y más inspirado trabajo del grupo, así como por el propio Renato Russo. El disco posee el mayor números de hits: son once canciones de las cuales por lo menos nueve fueron tocadas sin parar en las radios brasileras. Es también el álbun más vendido de la banda, con más 1,7 millones de copias, considerado la obra más “religiosa” de Legiao. La obra de Renato Russo y, consecuentemente de  Legião Urbana circulaba entre las fronteras de la ética pública y la ética privada, como definió Arthur Dapieve  en su libro  “Renato Russo, o Trovador Solitário”. Ya fuera en la conducción del país, la cuestión pública, de los medios de comunicación, o en la sinceridad y respeto por los sentimientos  individuales, era necesarias disciplina, compasión, bondad y coraje. En este disco, estas esferas de la vida de todo y cada ciudadano eran discutidas. Además de Camões con su filosofia de textos bíblicos y budistas, la poesia de Renato llegaba al apogeo de la forma, convirtiéndose en aún más precisa en cuanto a los problemas de su tiempo. Del deterioro de las relaciones familiares hasta el Sida, de la intolerancia e de los preconceptos sexistas al amor romántico idealizado e inalcanzable, el grupo Legião Urbana enmarcaba los anos anos 80, al trazar el panorama de esos tiempos y tirar luces de esperanza en días tan sombríos.

El bajo Renato Rocha tocó con el trio en los tres primeros albunes y llegó a grabar el bajo de algunas canciones del álbun, sin embargo  dejó al grupo gracias al desentendimiento con los demás miembros. Las líneas del bajo originalmente grabadas por Rocha fueron regrabadas por Dado y Renato, que se alternaron entre el bajo y las guitarras. Canciones super conocidas, como “Pais e Filhos” y “Monte Castelo” estaban contenidas en este álbun.

Fim de la banda

El último recital de Legião Urbana ocurrió el 14 de enero de 1995, en la casa de shows “Reggae Night” en Santos, litoral del estado de São Paulo. En ese mismo ano, todos los discos de estudio del grupo hasta 1993 fueron remasterizados en el leyendario estudio británico Abbey Road Studios, en Londres, famoso por los diversos discos de los Beatles; y luego lanzados en un paquete entitulado  “Por Enquanto 1984-1995”. El combo también incluia un pequeno libro, con un texto escrito por el antropólogo Hermano Vianna, hermano del músico Herbert Vianna. “A Tempestade” o “O Livro dos Dias”, lanzado el 20 de septiembre de 1996 , fue el último de la banda con Renato Russo vivo. Además, el álbun posee canciones bien densas, alternando entre el rock clásico de “Natália” y “Dezesseis”, al lirismo de “L’Aventura”, “A Via Láctea”, “Leila”, “1º de Julho” y “O Livro dos Dias” y al clasismo de “Longe do Meu Lado”. Las letras, en general, tratan de temas como la soledad, pasado, amor, depresión, homosexualidad, Sida, intolerancia, e injusticias, siendo un disco dramático, de alma triste.

Algunas de las canciones del disco sugieren una despedida anticipada, como indica el trozo  “e quando eu for embora, não, não chore por mim”, de la canción “Música Ambiente”. Las fotos del flyer fueron sacadas cerca de la época de lanzamiento, excepto las de Renato, ya que se aprovecharon las fotos sacadas para su álbun solo Equilíbrio Distante de 1995, dado que el cantante, un poco débil, se rehusó a dejarse fotografiar para el disco. El álbun “A Tempestade” se lanzó inicialmente como um clásico, con portada de cartón, y algunos anos después fue relanzado como álbun común (estuche de plástico). La foto del guitarrista Dado es diferente en esas dos versiones. Salvo la de  “A Via Láctea”, las demás canciones del álbun poseen apenas la voz guia de Renato, que no quiso grabar voces definitivas. Tampoco fueron incluidas las frases “Urbana Legio Omnia Vincit” y “Ouça no Volume Máximo”, presentes en los trabajos del grupo. En su lugar, una frase del escritor modernista brasilero Oswald de Andrade: “O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus”.

El fin oficial de la banda sucedió el 22 de octubre de 1996, tras once dias de la muerte de su mentos, líder y fundador. Renato Russo fallecio 21 dias luego del lanzamiento de “A Tempestade”, en el 11 de Octubre de 1996. Dado Villa-Lobos y Marcelo Bonfá continuaron con sus carreras musicales ylanzaron discos solo en los anos sucesivos

Poema del día: Traduzir-se. Autor Ferreira Gullar. Traducción al español Aline R. Fagundes

 

TRADUZIR-SE
CONVERTIRSE-TRADUCIRSE
Uma parte de mim
Una parte mía
é todo mundo:
es todo el mundo:
outra parte é ninguém:
otra parte es nadie:
fundo sem fundo.
hondo sin fondo.
Uma parte de mim
Una parte mía
é multidão:
es multitud:
outra parte estranheza
otra parte extrañeza
e solidão.
y soledad.
Uma parte de mim
Una parte mía
pesa, pondera:
pesa, sopesa:
outra parte
otra parte
delira.
delira.
Uma parte de mim
Una parte mía
é permanente:
es permanente:
outra parte
otra parte
se sabe de repente.
se conoce de repente
Uma parte de mim
Una parte mía
é só vertigem:
es solo vértigo:
outra parte,
otra parte
linguagem.
solo verbo.
Traduzir-se uma parte
Traducir una parte
na outra parte
en la otra parte
– que é uma questão
– siendo así cuestión
de vida ou morte –
de vida o muerte-
será arte?
¿Será pues arte?

Biografia Português:

Conhecido pelo pseudônimo de Ferreira Gullar, José Ribamar Ferreira nasceu no dia 10 de setembro do ano de 1930 em São Luís, Maranhão. Ele foi um dos criadores do neoconcretismo e produziu obras em diversas áreas como ensaio, tradução, biografias, crítica de arte e poesia.

Filho de Alzira Ribeiro Goulart e de Newton Ferreira, Ferreira Gullar tinha dez irmãos. Em entrevista ao portal do jornal Tribuna do Norte, Gullar explicou a utilização dos sobrenomes do pai e da mãe para a criação de seu pseudônimo. Segundo ele, seu nome de origem, Ribamar, é muito popular no Maranhão, então decidiu pegar o último sobrenome do pai e somá-lo à grafia alterada do último sobrenome da mãe, que passou de Goulart para Gullar. “Como a vida é inventada eu inventei o meu nome”, afirmou Gullar.

Gullar, junto a outros nomes como Bandeira Tribuzi, Lago Burnet, Luci Teixeira, José Sarney, José Bento, entre outros autores, compunha um grupo literário disseminado para outros locais do Brasil por meio da publicação que apresentou o movimento pós-modernista ao Maranhão, a revista Ilha, que Gullar ajudou a fundar.

De acordo com alguns críticos literários, Ferreira Gullar é o maior poeta brasileiro vivo. Isso se deve a sua prolífica produção em diversos campos artísticos ao longo de mais de 60 anos, nos quais o poeta pode vivenciar e participar dos acontecimentos de maior relevância no que se refere à poesia do país.

Ferreira Gullar foi um dos principais nomes da poesia concreta. Na época, morava no Rio de Janeiro e produziu material bastante inovador. Um exemplo disso são seus poemas gravados em placas de madeira.

No ano de 1956, foi um dos expositores de um evento concretista tido como o primeiro marco da poesia concreta no Brasil. Porém, três anos depois, Gullar se afastou dos concretistas para criar, ao lado de Hélio Oiticica e Lígia Clark, o movimento neoconcretista. Entre as principais características deste novo movimento estavam a subjetividade e valorização da expressão, que se opunham às ideias do concretismo ortodoxo.

No começo da década de 60, Ferreira Gullar acaba se afastando do grupo do neoconcretismo. Segundo ele, tal movimento acabaria com o vínculo entre a poesia e a palavra. Desta forma, passa a fazer poesia com temas políticos e se envolve com os CPCs – Centros Populares de Cultura.